Review: Game of Thrones 2.09 – “Blackwater”

Um episódio com o momento mais esperado da temporada (a guerra por King’s Landing) escrito por ninguém mais ninguém menos que o próprio George R. R. Martin. Existe alguma chance disso dar errado?

A resposta é NÃO e o resultado é o melhor episódio da SÉRIE até o momento! Numa temporada tão bagunçada, foi simplesmente incrível ver como tudo estava no lugar certo nesse episódio. Não teve cena desnecessária, diálogo imbecil ou perda de tempo. Tudo funcionou perfeitamente, todos os atores estavam incríveis, os diálogos especialmente inspirados, o episódio teve um dinamismo que a série já tinha perdido faziam algumas semanas e a sequência da esperada batalha já figura facilmente entre as melhores cenas de 2012 na TV.

É até difícil dizer qual foi o melhor momento do episódio, porque cada cena que passava era melhor que a anterior. O primeiro grande acerto foi o foco em um único lugar: todo o episódio aconteceu em King’s Landing, o que fez a narrativa ser concisa e o episódio dinâmico como NENHUM dessa temporada tinha sido até agora. Sem a farofada de tentar enfiar 300 personagens e 300 tramas em apenas 50 minutos, puderam montar todo o clima de tensão que a guerra precisava. E claro, foi uma maravilha ter um episódio inteiro sem ver aquela história insuportável da Daenerys, sem Theon (que anda meio irritante, o que é uma pena, porque a história dele estava legal) e a chatice que está a trama do Jon Snow.

Pra começar, esse episódio justificou qualquer economia de orçamento com os dragões e os lobos feitos por um iniciante em After Effects né? No dia em que assisti, fui fuçar sobre a repercussão do episódio na Internet e vi que a ideia inicial era fazer a guerra inteira pelos olhos de Cersei e Sansa. Ou seja, o episódio inteiro seria com a mulherada presa naquele quarto e a Cersei fazendo aquele espetacular show de stand-up que nos agraciou entre uma cena de violência extrema e outra. As cenas dela com a Sansa foram excelentes, mas putz, pensa num episódio inteiro disso? E pensa na nossa agonia vendo a mulher bêbada tagarelando enquanto uma GUERRA tá rolando e não podemos ver? Ainda mais se lembrarmos que na temporada anterior, fomos privados de outras cenas de batalha, então os telespectadores mereciam demais um episódio desse. Graças a Deus os produtores conseguiram convencer a HBO a abrir a mão, esvaziar os cofres, mostrar que é capaz de fazer MUITO mais do que já faz nas suas séries (o que não é pouca coisa) e produzir as sequências mais impressionantes e bem-feitas que já assisti na TV desde o piloto de Lost (cujo episódio piloto foi tão caro que causou demissões na ABC, então pensa em quanto “Blackwater” deve ter custado pra HBO).

O que foi a cena do Fogovivo? Fiquei com a mesma cara dos personagens que testemunharam aquilo, estava chocado não só com o estrago que aquilo causou mas também com o alto nível da cena, grandiosa e impressionante. A reação de cada um foi muito interessante: a cara assustada de Tyrion, o terror escondido do Cão (alias, ele largando tudo na guerra e mandando o rei a merda, aterrorizado com o fogo mesmo sem revelar ou deixar isso transparecer pra ninguém foi ótimo, deu uma nova ótica para um personagem que sempre achei meio simples demais no meio daquela gente – antes era “sou grande, dou medo e é isso”, agora vai além disso), o deslumbramento doentio de Joffrey, o interesse misturado ao medo de Bronn… Agora, o que rolou com Davos (pergunta retórica hein galera)? Morrer eu sei que ele não morreu, principalmente porque o filho da mãe nem apareceu direito nessa temporada, então não tem DIREITO de morrer! De qualquer maneira, depois dessa explosão inacreditável, veio o maior momento…

A guerra em si foi maravilhosa de se assistir. A direção foi perfeita, economizaram os planos abertos (que causam só um impacto inicial, mas acabam ficando preguiçosos se são usados demais) e deram destaque aos personagens no meio do caos, o Cão fatiando as pessoas brutalmente (ele cortou uma pessoa do pescoço até a cintura com UM GOLPE!! DE UMA ESPADA COMUM!) , Bronn detonando todo mundo que chegava perto dele e soltando flechas pra todo canto, Stannis derrubando qualquer um em seu caminho, completamente determinado e Tyrion (melhor trabalho de Peter Dinklage nessa temporada, convenhamos) tendo que tomar as rédeas como líder, fazendo discurso motivador e saindo no meio da guerra dando machadadas em todo mundo (Como um bom anão deve fazer! Acho que Tolkien notaria uma certa ironia se visse isso, hehe).

Esse cuidado em mostrar essas pessoas na guerra ao invés da guerra em si foi talvez o maior acerto de todos, pois essa aproximação fez com que nós fizéssemos parte daquilo, era como se estivéssemos ali no meio e não apenas assistindo de longe, do jeito que eu jamais pensei que uma série faria, afinal, da última vez que eu lembro de ter visto sequências de guerra tão impressionantes, com esses pequenos e importantes detalhes, foi em O Senhor dos Anéis. Não a toa, fiquei tenso do começo ao fim do episódio, só parei pra respirar direito depois que os créditos acabaram (hahaha).

Dentro do castelo, foi Cersei Lannister que roubou a cena, como já tinha dito. Álias, se existir qualquer possibilidade de Lena Headey levar uma indicação ao Emmy, será por esse episódio, onde ela fez um trabalho simplesmente maravilhoso. Nos últimos episódios (as 12 pessoas que leem meus reviews já viram eu falar disso, hehe) eu estava estranhando porque ela estava um pouco… coitada demais. Pois aqui ela compensou tudo isso, mostrando como é uma personagem excelente: não é uma coitada, nem é boazinha e, vejam só, também não é uma pessoa totalmente má. Aqui, ela mostrou que na verdade, mais do que qualquer coisa, ela é uma mulher amarga,frustrada e, bem… humana. Ok, meio assustadora e extrema, mas humana. Coloca um carrasco para vigiar as mulheres, pronta para matar todas no caso da situação sair do controle, manda seu filho, a única motivação dos homens para guerrear, voltar para dentro do castelo e, como se não bastasse, chegou muito, mas muito perto de matar seu filho mais novo só para livrá-lo de se render a Stannis.

Aquele final, diga-se de passagem, foi pra matar qualquer um do coração, cena incrível, texto fantástico (bom, se for levar em conta como os livros são envolventes, um roteiro de Martin não seria diferente não é…) e uma tensão insuportável, que termina com Twyin entrando na sala do trono e proclamando “NÓS GANHAMOS!”. E aí, na reação mais bizarra que já tive (e tenho certeza que todo mundo teve também, nem comecem a me julgar), eu realmente COMEMOREI a vitória dos Lannister, hahahaha! Olha o que essa série faz… isso porque, não apenas eles são pessoas para as quais não se devem torcer, como o fato é que Stannis realmente é o rei por direito. Mas com aquela cara de sono, fica difícil conquistar a simpatia de qualquer um né.

“Blackwater” foi um episódio espetacular e, se for comparar com o resto da temporada (bem decepcionante no geral, comparado com a primeira), foi quase uma obra-prima. Agora, uma coisa a 2ª temporada fez exatamente igual a primeira: um penúltimo episódio tão inacreditável que a única pergunta que dava pra fazer quando acabou foi: “Se isso foi o penúltimo… o que devemos esperar do season finale”?

E é essa pergunta que fica no ar até o episódio rolar… vão ter que amarrar algumas coisas envolvendo todos os dois milhões de personagens, além de dar continuidade ao que vimos aqui. Minhas expectativas estão lá no alto…

Nota: 10

P.S.: Existe QUALQUER explicação para a imbecil da Sansa preferir ficar em King’s Landing ao invés de fugir com o Cão? Caramba, o cara deu a chance e era uma proteção perfeita, essa decisão dela não fez sentido nenhum. Pelo menos não por enquanto, hehe… Essa história é uma insanidade inconstante, talvez mais pra frente as intenções dela se revelem… Ou ela foi burra mesmo.

5 Responses to Review: Game of Thrones 2.09 – “Blackwater”

  1. Ari de Méllo Schwind disse:

    Gostaria de falar também sobre “The rains of Castereme”, porque aquela canção, cantada por aqueles homens e daquele jeito, foi ESPETACULAR. Me lembrou MUITO a primeira vez quando vi o trailer d’O Hobbit e os anões começaram a cantar, aquilo foi de arrepiar.

    • Marcelo Silva disse:

      Boa cara! Era tanta coisa pra falar que acabei deixando a música de fora sem querer, hehe. Mas também achei linda. Ainda mais depois daquele turbilhão de acontecimentos que foi o episódio, ela foi perfeita para fazer todo mundo absorver tudo aquilo.

  2. Pingback: Blackwater Watch » Blog Archive » Review: Game of Thrones 2.09 – “Blackwater” « Ritual de Séries

  3. Zé Picelli disse:

    Meu Deus! Meu episódio favorito de toda a série, ficando na frente até do penúltimo da S01. Praticamente uma obra de arte!

  4. thiago disse:

    kkkkk pow se vc fosse uma garota de 16 anos vc fugiria com um cara que sabemos q é cruel, que era o “Cão de caça” do Joffrey o bixinho de estimação dele que foi até um dos que atacou e matou os homens do pai dela… rsrs sem falar na cara horrivel q ele tem metade do rosto queimado e jeito de estuprador

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