Review: Prófugos – 1ª Temporada – Episódios 1-7

Essa sim, meus amigos, é a surpresa da fall season.

depois me dou conta de que haviam se passado mais de seis horas e eu tinha assistido sem pausa seis intensos episódios é porque a série, de fato, é uma coisa muito sensacional. Isso foi o que aconteceu quando decidi “só conferir” o piloto de Prófugos, a mais nova produção da HBO Latin América, sim, aquela que nos presenteou com séries como Alice, Capadócia, Mandrake, Epitáfios e Filhos do Carnaval.

Prófugos é um drama profundo repleto de ação que consegue prender o telespectador desde os primeiros minutos da série. Sou péssimo fazendo sinopses de séries, então quem quiser entender a história da série, dá uma googleada que será melhor do que qualquer resumo que eu faça. O que vale ressaltar apenas é que a série tem como plano de fundo o tráfico de cocaína na América Latina, especialmente no Chile, e o cartel comandado pela família Farragut. Daí meio que surge toda a história de Prófugos, com o plano de entrega de duas toneladas de cocaína líquida que deu errado e a consequente eletrizante perseguição aos quatro fugitivos que protagonizam a série.

Desde o piloto da série com o ataque à carga que seria entregue no porto, Prófugos mostra saber muito bem fazer excelentes cenas de ação, daquele tipo que deixaria Jack Bauer orgulhoso. Santiago, Moreno, Salamanca e Tégui são ótimos personagens, todo com histórias bem construídas e que dão uma profundidade bem grande, já que cada uma tem suas razões pra terem entrado no mundo do tráfico de drogas. Dentre eles, a história de Oscar Salamanca, um ex-revolucionário da década de 70, é uma das que mais chama atenção, bem como a de Tégui, que na verdade se chama Álvaro, um policial infiltrado no cartel.

O cartel Farragut é comandado por Kika, a matriarca da família que depois de ter sido presa convenceu seu filho, Santiago, um médico veterinário, a assumir o cargo de chefia. Claro, conhecendo um pouco do sistema carcerário da América Latina, sabemos que com facilidade Kika consegue ter contato com seu bando através de telefones celulares que entram para o presídio com ajuda das próprias agentes carcerárias. Bem real mesmo, né?!

Nesse início de temporada Kika se mostrou uma personagem muito forte e de pulso firme. É Kika que dita as ordens e diz o que deve ser feito e o que não deve ser feito. Kika é uma mulher de cojones e deixa no chinelo muito bandido por aí. O que vimos de Kika até aqui já nos deixa completamente curiosos pela história dela e da família Farragut. Nesse começo de temporada acompanhamos momentos excelentes estrelados por Kika, entre eles acho que não podemos deixar de falar da sua autoridade e prestígio dentro da prisão, com todas as detentas e (quase todas as) carcereiras respeitando as vontades da Sra. Farragut. Além disso, a fuga dela da prisão é outro momento que certamente agradou os fãs da série e, claro, não tem como não falar um pouco da cena da ambulância. Putaquepariu!!

Dentre as cenas de ação que tivemos, essa é certamente uma das minhas preferidas, não só pela proporção que a fuga de Kika tomou, mas também pela adrenalina que a cena passa ao termos que acompanhar Kika, Santiago, Salamanca, Tégui e Moreno fazendo o diabo para combater a, sempre ineficiente, Policia de Investigação do Chile. Desde então, com a chegada de Kika ao núcleo prófugos da série a coisa só melhorou. Pudemos conhecer um pouco mais do passado dela, seus problemas com o finado Sr. Farragut e a influencia que Kika tem no tráfico da América Latina.

Em pouquíssimos episódios eu já estava completamente intrigado pela história dos nossos quatro protagonistas. A dinâmica entre eles é excelente e acho uma coisa genial perceber que eles não são amiguinhos unidos pelo tráfico. O que já deu pra perceber é que todo mundo odeia Moreno, mas que ele é um mal necessário. Todo mundo é desconfiado para o lado de Tégui, que volta e meia tem uma arma apontada para a sua cabeça e tem que usar toda sua lábia para convencer seus “comparsas” de que ele está realmente do lado deles. Além disso, desde a chegada de Irma à série, Salamanca mostrou que sua maior preocupação atual é cuidar da vida da filha, não importando se tem que matar qualquer um dos seus comparsas para garantir isso. Que coisa linda, né?!

Eu falava agora há pouco do Moreno e preciso me alongar mais algumas linhas falando sobre esse personagem. Moreno é um dos personagens mais interessantes da série, ele é diferente de quase tudo que eu tinha visto em uma série de TV antes. O cara é um dos maiores psicopatas da história da televisão mundial e não é a toa que sua história é uma das que mais chama atenção. Desde que mataram sua esposa (que estava grávida!), Moreno conseguiu quadruplicar seus instintos doentios e passou a ser ainda mais cruel com seus inimigos.

Quem consegue esquecer do sanguinário momento em que Moreno para se vingar do que havia acontecido com sua esposa decide arrancar a cabeça do filho do Aguilera?!

Quem consegue esquecer do sanguinário momento em que Moreno para se vingar do que havia acontecido com sua esposa decide arrancar toda a pele do Chelle, o chefe de outro cartel e mente por trás do ataque ao porto e à mulher dele?

PRÓFUGOS É ESSA TENSÃO/EMOÇÃO QUE VOCÊS ESTÂO LENDO!!!!!!!!!!

Antes de falar um pouco sobre o inimigo mor dos prófugos, vou falar um pouco sobre dois ótimos personagens e que têm uma fundamental importancia para  a série: o detetive Fábian e a promotora Ximena. Os dois são personagens que teoricamente deveriam estar agindo contra os fugitivos, atuando ao lado da Policia de Investigação para ajudá-los na captura dos prófugos. No entanto, Ximena que hoje tem um rolo com Fábian, foi ex-companheira de policia do Tégui (aka Álvaro Parraguez) e os dois tiveram uma história juntos por um bom tempo. Acompanhando a perigosa missão de Parraguez em se infiltrar em um dos maiores cartéis da América Latina, Ximena conseguiu descobrir que as coisas são apenas branco ou preto como ela pensava.

Parraguez, Ximena e mais tarde Fábian conseguiram encontrar rastros do envolvimento de muitos policiais e políticos no tráfico de drogas. Além disso, perceberam que todo o trabalho de Parraguez pode ainda servir para combater uma corrupção gigantesca que ajuda a sustentar vários carteis no Chile. Então o que deveria ser apenas um combate às famílias que comandam os carteis, acabou virando uma ação gigantesca para ajudar a punir vários agentes estatais beneficiados pelo tráfico. Tudo isso serve para dizer apenas que Ximena e Fábian, mesmo agindo contra os prófugos, terminam por ser também inimigos da corrupta polícia do Chile. E isso, claro, incomoda muito Marcos Oliva, corrupto chefe da operação da Polícia de Investigação do Chile.

Marcos Oliva, esse é o cara que devemos odiar em Prófugos. Se ele fosse apenas um agente de policia realizando seu dever, fazendo todo o possível e imaginável para prender grandes nomes por trás do tráfico de drogas, ele seria alguém para batermos palmos no contexto da série, já que tecnicamente ele seria o mocinho. Entretanto, como dito antes, as coisas não são apenas preto ou branco em Prófugos. A razão pela qual Oliva está tão preocupado em prender os Farragut é porque o dele está na reta, já que os prófugos sabem agora do envolvimento dele com famílias rivais e isso certamente traria problemas gigantescos para Oliva.

Se Oliva é #fail em praticamente todas as suas operações contra os prófugos, ele pelo menos tinha que ser efetivo combatendo seus inimigos de dentro da polícia. O alvo, claro, é o detetive Fábian, já que desde o detetive e Ximena descobriram o dirty little secret do Oliva as coisas foram ficando tensas para Marcos na PDI. Em uma cena extremamente bem construída e brutal da série, vemos Oliva se livrando de Fábian, dando um tiro na cabeça do policial e forjando tudo para incriminar Tégui.

  As coisas só se complicam na série. Tudo vai ganhando proporções gigantescas e é impossível conseguir terminar um episódio de Prófugos e não querer assistir logo o próximo. A série consegue nos surpreender sempre e foge dos clichês (claro, não de todos!) das séries de ação. Somando isso com uma trilha sonora maravilhosa e provavelmente uma das melhores fotografias que vi em uma série em toda a minha vida, é um verdadeiro pecado não estar acompanhando essa série. Sério, a fotografia de Prófugos é um hino de amor ao Chile. É praticamente impossível assistir essa série e não querer visitar o país o mais rápido possível!

Caminhando para o fim desta review combo fake, precisamos mencionar alguns acontecimentos do sétimo episódio. Toda a sequência do mosteiro foi excelente, gostei muito de ver um pouco mais da La Roja em ação. Coisa sensacional ela estourando tudo e mostrando, mesmo que parcialmente, que a PDI é a policia mais incompetente do planeta. Até Kika com a perna praticamente no ponto de ser amputada consegue ser mais rápida e mais forte que os agentes da Policia de Investigação do Chile. Sério, dá vergonha desses policiais!

Outra coisa que chamou atenção também e que acabou sendo uma surpresa pra mim foi toda a história da homossexualidade de Santiago e as consequências que isso terá em vários núcleos da série. Pensei que a história do Santiago não fosse se enveredar por caminhos tão pessoais quanto esse, já que o pouco que sabíamos dele já era algo bem interessante, agora a coisa ficou ainda mais curiosa. Quero muito ver onde esta história vai chegar, acho que vem tensão por aí por causa disso!

A prisão da La Roja, a saúde de Kika, o envolvimento entre Tégui e Laura, a relação entre Salamanca e Irma que a cada dia fica mais complicada, a perseguição da PDI, tudo isso é o que nos aguarda no próximo episódio. Confesso já querer fazer logo a review do episódio 8, já que é suicídio fazer uma review combo de uma série como Prófugos, já que é tudo tão relevante e importante, que nada deve passar despercebidos nas reviews.

Desculpem esta review porca, sei que Prófugos merece comentários bem melhores que esses, mas é que antes de começar a fazer as reviews semanais, preferi tecer alguns comentários gerais sobre esse inicio da temporada, só para preparar o tom para começar os comentários sobre essa série. O que importa é que todos vocês deveriam estar assistindo Prófugos. A série é uma preciosidade que poucos estão apreciando e algo tão excelente quanto essa produção da HBO Latin America não poderia passar em branco aqui no Ritual de Séries, né?!

Sobre Aécio Rocha
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