Review: Fringe – 3ªtemporada

Primeiro, desculpem pelo atraso inaceitável do post, já sabem né, faculdade é aquela coisa maravilhosa, hehe. Enfim, ao que interessa: depois de uma 1ªtemporada que serviu pra pegar nosso interesse e uma 2ªtemporada excelente, mas que ainda deixava a sensação de preparação de terreno, Fringe chegou a sua 3ªtemporada abandonando definitivamente o esquema do procedural e se focando no que a série tem de melhor, a estabelecendo como o drama mais criativo da atualidade.

No agoniante cliffhanger da temporada anterior, foi revelado que as duas Olivias (Olivia e FOlivia – hora de usar os apelidos, yay) trocaram de mundos. Enquanto FOlivia tomou o lugar de Olivia no nosso mundo, a loira foi aprisionada no lado B. Essa primeira parte da temporada, que alternou entre um episódio no lado A e outro no lado B já estabeleceu que essa temporada de Fringe tinha grande potencial para ser a melhor da série. A dinâmica desses primeiros episódios foi excelente, com Olivia incorporando as memórias de FOlivia no lado B e FOlivia se “divertindo” com Peter no lado A. E o melhor é que eles souberam exatamente até onde levar: quando essa trama começou a se esgotar, veio o episódio pra resolver tudo, com direito ao Broyles do outro lado morrendo pra salvar Olivia e tudo mais.

Depois de um começo tão sensacional, ficou difícil não ter interesse pelo resto da temporada, que, pra alegria geral da nação, abandonou definitivamente o esqueminha “monstro da semana” pra se focar na história que realmente importa. Considerando que esse foi o único ponto fraco da 2ªtemporada, já dá pra ter uma ideia de como foi esse terceiro ano da série. O legal é que pareceu que os produtores meio que desencanaram de conseguir grandes números de audiência porque viram que isso já não vai rolar mais (principalmente porque a série foi mudada pras sextas-feiras nos EUA) e isso deu liberdade pra eles enlouquecerem completamente, construindo uma história um tanto complexa, deixando a mitologia ainda mais intrincada e, mais que isso, fazendo episódios com narrativas completamente inovadoras.

Claro que nem tudo foi perfeito. Quando Olivia voltou pro lado A, história toda dela com Peter (“To bem, tá tudo bem, tem nada, você só deu uns pegas na mulher que roubou minha vida pensando que era eu, mas eu to aqui fingindo que tá tudo tranquilo”) foi um saco e eu fiquei em choque quando Sam Weiss veio com o papinho que só o amor de Peter poderia salvar os dois mundos – AMOR DE NOVO NAAAAAAO! – mas no fim, isso nem deu em nada (como tanta coisa em Fringe desde o começo da série né). A gravidez da FOlivia também, foi uma reviravolta e tudo, mas sei lá, achei que ficou meio jogado, ainda mais quando tentaram resolver a coisa toda de uma hora pra outra (mas o nascimento do bebê, com o Lincoln todo desesperado, foi bacana, apesar de tudo).

Falar da 3ªtemporada de Fringe sem destacar Anna Torv é no mínimo indigno. Ela começou a série com uma atuação bem qualquer nota (tudo bem que a personagem era bem mais bocó), mas aqui fez um trabalho simplesmente impressionante. A atriz alternava entre as duas Olivias, que tem personalidades completamente diferentes, com uma facilidade absurda e cheia de sutilezas e os episódios que William Bell tomou o corpo dela foram inicialmente bizarros… e depois continuaram bizarros, mas estava divertido ver Anna Torv imitando Leonard Nimoy. As caras dela eram impagáveis. Se tratando de atuações, fora ela, acho que nem preciso falar de John Noble certo?Uma atuação monstruosa, tanto como Walter quanto como Walternativo.

E já que falei de William Bell no corpo de Olivia, confesso que inicialmente foi meio difícil ter que aceitar isso. Mas se não fosse por essa bizarrice, não teríamos um dos melhores (ou será o melhor?) episódios da série e uma das coisas mais criativas que já vi na TV. “Lysergic Acid Diethylamide” se passou quase que inteiramente dentro da mente de Olivia e isso poderia ser algo legal sim, mas nem tão criativo assim (né Inception). Mas o modo como a ideia foi apresentada que fez a diferença. No pedaço de consciência que Olivia compartilhou com William Bell, tudo é uma animação e, por isso, boa parte do episódio foi um desenho animado que teve de tudo, até zumbis (!!!). Todo o esquema deles pra resgatar Olivia na sua própria mente foi simplesmente espetacular. Ah sim e o Broyles chapado valeu a temporada INTEIRA, hahaha.

A temporada também teve uns casos isolados bacanas, como o do mega-gênio no lado B ou o cara que queria reanimar a garota (a cena dela sendo levantada por cordas e dançando, putz…), mas nao chegou perto de ser tão interessante quanto a história dos dois mundos e todo o seu conflito. A coisa chegou no ápice no episódio 20, o que deu o ponto de partida para o que estava prometendo ser um glorioso season finale, com toda a história das First People, Sam Weiss se mostrando alguém importante (mas que depois nem era tão importante assim porque não sabia de nada #JacobFeelings), a máquina do Apocalipse, a batalha entre os dois mundos e Peter no centro de tudo isso! No final do penúltimo episódio, a máquina é ligada e aí, a complexidade de Fringe atingiu o ápice.

O season finale foi algo que eu jamais esperava. A história foi pra 2026, onde Peter e Olivia estão casados e trabalham juntos, Walter está preso e aparentemente teve um derrame e (pausa dramática)… Astrid fez progressiva. Compreendi perfeitamente porque tanta gente ficou enlouquecida no Twitter na época que o episódio foi exibido e toda a discussão que ele gerou. Muita gente adorou e muitos quiseram queimar a casa dos produtores. O finale tem um clima diferente, um ritmo estranho e umas coisas meio cafonas (Olivia levitando a caixa é aquele tipo de cena que a Anna Torv deve ter olhado o roteiro e perguntado “É sério que eu tenho que fazer ISSO?”) mas no geral, eu fui da turma que adorou. Depois que Olivia morre (e o funeral dela também é uma das coisas mais cafonas ever, Aécio Rocha ficaria orgulhoso com a homenagem a Survivor na cena), a resolução de Walter para reverter tudo precisou ser revista por mim umas três vezes, tamanho o nó que deu na minha cabeça (e nem vou tentar explicar aqui, porque sério…). Mas de qualquer modo, descobrimos que as First People” na verdade eram eles mesmos, Walter, Peter, Olivia e Astrid e que a mente de Peter precisava viajar de volta ao passado para salvar os dois mundos.

Ok, meio complicado, mas até aí nada de muito assustador, considerando o que já vimos na série. Peter volta ao presente, para a alegria de Olivia e, de repente, a sala que guardava a máquina no lado B se materializa no lado A (e alguém já sabia disso e deixou todo o espação que eles ocuparam vazio né, porque que CONVENIENTE eles aparecerem bem no espaço vazio)! Peter sai da máquina, rola aquela tensão entre Olivia e FOlivia, entre Walter e Walternativo e Peter vai explicar o que rolou, que ali, na Ilha da Liberdade, seria uma espécie de marco zero, um lugar onde os dois mundos se encontrariam, pra trabalharem juntos e resolverem todo o caos que estava acontecendo e… Peter desparece! Os personagens e suas versões do lado B continuam naquele clima de tensão como se NADA tivesse acontecido e, fora dali, todos os Observadores estão a postos (sabe Deus pra que) e o Observador que já conhecemos (a.k.a. Marcelo Tas creepy mode) confirma o que estava bizarro demais pra confirmarmos sozinhos: ninguém se deu conta que Peter sumiu porque ele cumpriu seu propósito ao juntar os dois mundos e foi APAGADO da existência. Ou seja, Peter Bishop jamais existiu.

Apesar de ser um final que fez todo mundo ter que limpar os miolos do teto e sair pulando insanamente pela casa (vocês não fizeram isso? Hehehe), achei uma maluquice. É loucura porque é simplesmente impossível explicar de modo satisfatório esse lance de Peter nunca ter existido sem deixar mil lacunas na história. Boto fé nas pessoas que tomaram as rédeas da série, Jeff Pinkner e J.H. Wyman foram os caras que levaram a série por esses rumos e ajudaram ela a virar o que é hoje, mas mesmo com esses méritos, não vejo isso se resolvendo de um modo que deixe todo mundo satisfeito (e atualmente posso dizer isso, porque até agora a 4ªtemporada não falou muita coisa). Mas veremos… vindo de Fringe, é só botar uma explicação maluca do Walter no meio que dá pra aceitar melhor, hehe.

De qualquer maneira… valeu a pena fazer essa mega-maratona pra poder acompanhar o que deve ser a última temporada da série. A partir de agora, você confere reviews semanais de Fringe aqui no blog, começando com um combo dos três primeiros episódios. Fiquem ligados!

3 Responses to Review: Fringe – 3ªtemporada

  1. renato disse:

    otimo seu Review apenas nao entendi o porque de FOlivia? pq o F? Ja vi Bolivia, Redlivia dentre outros, mas Folivia nao entendi.. de qualque forma adorei o review e até me deu vontade de reassistir a serie.

  2. Marcelo Silva disse:

    Renato,
    FOlivia foi o modo como Walter se referiu a Olivia do lado B depois que descobriu que estava sendo enganado por ela. E como qualquer coisa que Walter diga é válido, adotei essa, hasuashausahushua

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