Opinião: Finalmente, aí está Two and a Half Men com Ashton Kutcher…

E ontem foi ao ar o primeiro episódio da 9ªtemporada de Two and a Half Men, que também é a primeira sem o protagonista (e alma) da série, Charlie Sheen. A novela de Sheen com o criador da série, Chuck Lorre, todo mundo já sabe não é? Portanto, a curiosidade aqui ficou por conta de como seria a saída de Charlie Harper e a entrada de Walden Schmidt – o personagem de Ashton Kutcher – na série. Quando isso tudo foi anunciado, há uns meses atrás, eu, como quase todo mundo, viu o desastre acometendo uma das comédias de maior sucesso da TV americana.

No fim das contas, não foi um desastre. Mas isso não quer dizer que foi bom.

Atenção: Contém alguns spoilers do primeiro episódio da 9ªtemporada.

Eu sempre disse que a PIOR coisa que pode acontecer com uma série ou filme (ou até mesmo com uma banda), é cair na indiferença. Pior mesmo do que se a série ou filme fosse realmente ruim. Porque sendo ruim, pelo menos provoca alguma coisa (indignação e raiva, nesse caso) no espectador, o que não é bom, claro, mas é melhor do que passar completamente indiferente sob os olhos de quem assiste, pois fica aquela sensação de que se a série não existisse, ninguém nem daria falta. E Two and a Half Men já estava começando a cair nisso mesmo quando Charlie Sheen ainda estava no elenco, agora então… é um fato.

Vejam bem, antes de mais nada, vale ressaltar uma coisa:  Two and a Half Men não tinha metade da qualidade do que teve um dia já fazia um tempo. Depois de 8 anos, a série ficou meio estagnada nas mesmas piadas (bem o que acontece com toda série do Chuck Lorre, aparentemente) e por mais engraçados que fossem Charlie Sheen e Jon Cryer, a comédia já estava longe de ser boa e inspirada como foi um dia. Quando Sheen foi demitido e Lorre, numa crise de birra e egocentrismo incrível resolveu prosseguir com a série como se nada tivesse acontecido, por pior que pudesse ser a perda do grande astro do programa, era ao mesmo tempo a chance de mexer na história e dar bem-vindos novos ares pra ela (na verdade, o mais apropriado seria  terminar a série, mas de qualquer modo…) principalmente com a entrada de Ashton Kutcher no elenco. Quando começaram a liberar material dessa 9ªtemporada, eu abandonei um pouco o “espírito de porco” e realmente comecei a ter alguma expectativa de ver algo bom saindo daí. E ontem finalmente saiu o resultado disso tudo.

E o resultado foi… estranho. Sim, “estranho” é a palavra que define perfeitamente o começo dessa espécie de “nova era” de Two and a Half Men. Não fosse a música tocando na entrada de cada bloco e o nome aparecendo na abertura, eu diria que foi o piloto de uma nova série, só com os mesmos personagens. O episódio já começa com o velório de Charlie Harper e se a princípio parece bizarro ver a plateia gargalhando compulsivamente na cena, é ainda mais estranho constatar que esse início de fato foi bem engraçado. Todos os principais casos de Charlie aparecem no velório pra escrachar o mulherengo, enquanto Alan tenta dizer humildes últimas palavras ao irmão. E se a mulherada compareceu em peso no velório pra xingar Charlie Harper, Chuck Lorre, sutil como um elefante, não perdeu a oportunidade de zoar com Charlie Sheen usando seu personagem na série. Como bem descreveu Rose, ele não sofreu na sua morte – foi atropelado por um metrô ao “escorregar” e cair nos trilhos acidentalmente – apenas explodiu como um grande balão de carne. Depois, Charlie ainda é cremado e por fim, o vaso com suas cinzas é jogado pro alto, espalhando-as pela sala de sua mansão. No final do episódio, Charlie Harper terminou num aspirador de pó, num modo bem claro de mostrar que ele foi completamente descartado.

Mesmo com o climão, a primeira parte do episódio é engraçada. Além da já citada cena do velório, teve a mãe de Charlie pronta pra vender a casa, as aparições especiais de John Stamos – que insinua que ele e Charlie transaram uma vez, algo que, aposto o que quiserem, foi mais uma zoada forte de Lorre – além de Jenna Elfman e Thomas Gibson, interpretando o casal Dharma e Greg, aparentemente a beira do divórcio, num inesperado e rápido crossover e claro, a apresentação do personagem de Ashton Kutcher, o bilionário Walden Schmidt, que foi ótima. Fora isso, não deu pra aproveitar muita coisa. A participação de Jake no episódio se resumiu a um peido (LITERALMENTE. Sério gente, piadinha de peido? Zorra Total não rola né?) e parece que essa primeira aparição de Schmidt foi mais pra estabelecer a dinâmica entre ele e Alan, já que no fim das contas, agora os dois são os protagonistas.

Apesar de sua aparição ter sido ótima, Walden Schmidt é um personagem simplesmente decepcionante. O cara é um pateta um pouco irritante e chega até a ser um pouco forçado. Isso nem é culpa de Ashton Kutcher, que apesar de não se comparar a Sheen, tem um inegável carisma e fez o melhor que conseguiu, mas só foi bom, nada demais, culpa do personagem fraco e limitado que deram pra ele. Mas o mais revoltante é que a saída de Charlie Sheen poderia ser a chance de Jon Cryer realmente brilhar, já que, apesar do seu grande talento para comédias, ele sempre foi só escada para o personagem de Sheen na série, sendo só o irmão loser por 8 anos. Pois bem… NADA MUDOU! Ao invés de finalmente evoluírem Alan Harper e tirá-lo dessa limitação que impede Cryer de mostrar todo seu potencial, mantiveram ele como “escada”. Uma grande chance desperdiçada, mas eu já esperava que fossem manter Jon Cryer em segundo plano pra darem destaque a Ashton Kutcher, por melhor que seja o intérprete de Alan Harper (mas não, ele não merecia o Emmy naquele ano).

Sinceramente, não vejo Two and a Half Men indo muito longe agora que pudemos ver a 9ªtemporada. Eu não esperava que fosse durar por mais de umas 3 temporadas já no ano passado, agora então, é quase uma certeza. Essa premiere foi uma explosão absurda de audiência, com quase 28 milhões de espectadores, o maior número da série, mas é bem provável que com o passar das semanas, isso vá caindo gradualmente. Mesmo quando estava muito fraca, Two and a Half Men ainda tinha Charlie dando o ar da graça, principalmente na sua dinâmica com Alan. Mas agora, tudo ficou muito estranho e o roteiro da série, que teve todas as chances do mundo de tomar novos rumos e se reinventar, está mais limitado e sem inspiração do que nunca (deixar Walden Schmidt pelado não uma, mas duas vezes, foi de uma apelação digna das comédias mais cretinas da Globo – tá, eu ri quando Jake e Judith entraram na casa e deram de cara com ele pelado abraçando Alan, mas mesmo assim…).

É sério, porque não fazem o que eu falei quando Charlie Sheen saiu da série? Encerrem com Two and a Half Men e façam um spin-off da Berta! Aposto que ia render muito mais…

5 Responses to Opinião: Finalmente, aí está Two and a Half Men com Ashton Kutcher…

  1. Seu texto é grande mais não é chato de ler, ele desenvolve legal, parabéns. Voltando ao que interessa.. Velho, na minha opinião, o ep. foi um tanto fraco e muito apelativo (como sitado no texto, piadinha de peido porra? o Jake já deu o que tinha que da, ta na hora dele morrer também kkkkkkk 666), não foi ao nivel de TWO AND A HALF ME. O Ashton foi melhor do que eu esperava, tanto ele quanto o Walden, achei que ele ja ia chegar como um fodelao, mais não é um simples banana milionário. Como fiel fã da serie, espero que deem mais valor e espaço ao Alan que realmente vestiu a camisa da “empresa” e não fez o papelão que o Sheen fez, por que o cara é bom. É isso ae, e nada impede de fazerem um spin-off da Berta ainda, calma lá.

  2. magie disse:

    Acho que nunca se deve misturar a pessoa do artista, todos os grandes talentos sempre tiveram implicações sérias em suas vidas privadas, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E exemplos não faltam: Marilyn, Michael Jackson, Amy, etc. O ator Charles Sheen é muito bom humorista, tem carisma e se encaixava muito bem no personagem, acho ridícula esta substituição que como já esperava iria ser sem sal. Melhor seria que tivessem encerrado a série e começado outra coisa.

  3. Caroliny disse:

    Todo mundo já sabe que Two and a Half Men não é a mesma coisa sem Charlie Sheen. E o jake…cara, tá na hora de morrer mesmo (rs). Jake só tem graça, na minha opinião, quando tinha uns 11/12 anos de idade. Agora… Nem é “dois homens e MEIO” porque vamos combinar, não tem nenhum homem “meio” ali (vocês entendem). Enfim, tenho todos episódios, e estou sempre revendo,claro, porque os primeiros são os melhores!

  4. Marcia disse:

    complicado superar charlie sheen. a série era ele, basicamente.
    Ashton não tem nada a ver ali. Não encaixa.

  5. Gabi disse:

    Esse tal de rodrigo e um FDP deixa de ser inbecil cara jake(angus t. Jones) e d+ lindo tudo d bom na minha opnião jake era para ficar com a erança de charlie e ashton era para ser irmao por parte de pai de alan e do falecido charlie

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