Review: Fringe – 2ª temporada

Como eu disse anteriormente, ao ver as 3 temporadas de Fringe (porque sim, eu enfim cheguei junto com a exibição dos EUA) fica a sensação de que a 1ª serviu como um gigantesco episódio piloto: começou meio chato, repetitivo, parado, aí foram colocando a coisa nos trilhos, foi começando a empolgar mais, descartaram umas ideias bestas, manteram as que deram certo, investiram em outras coisas e no final, ficou a promessa de uma 2ªtemporada não menos que excelente.

E se com aquela cena final da 1ªtemporada J.J. Abrams alimentou o monstro da expectativa, a 2ªtemporada felizmente não se intimidou com ele: mesmo com um tropeço aqui e ali, mergulhou de vez na mitologia da série, deixando tudo pronto para fazer de Fringe o drama mais criativo da atualidade.

A 2ªtemporada começou um tanto angustiante. Além de vermos Olivia quase morrendo ao ser atirada pra fora de um carro quando retorna do outro mundo – a cena é sensacional –  temos os shapeshifters (seres que podem tomar a forma de outras pessoas) sendo introduzidos na história e a chocante revelação de que o nice guy da série e melhor amigo de Olivia, o agente Charlie Francis, foi assassinado por um shapeshifter, que tomou seu lugar. Devo dizer que eu nem consegui acreditar que realmente tinham matado o personagem assim, do nada, mas reconheço que já não tinha muito o que fazer com ele na série, por mais que eu gostasse dele.

O começo foi promissor e os primeiros episódios da temporada seguiram o bom ritmo do início, com Fake Charlie infiltrado e “ajudando” Olivia e ela tentando lembrar a qualquer custo do encontro que teve com William Bell no World Trade Center do mundo paralelo. Nesse começo também fomos apresentados a Sam Weiss, um homem aparentemente comum, mas que parece ser muito e saber muito mais do que aparenta. Toda sua dinâmica com Olivia, para a recuperação da agente, foi excelente. No entanto, a temporada foi ficando mais morna depois que tudo foi revelado, com o flashback mostrando como foi a conversa entre Bell e Olivia e a morte do Fake Charlie.

Depois disso, Fringe voltou ao X-Files mode como na 1ªtemporada, apresentando um caso bizarro por semana para a Fringe Division investigar. Sim, deu pra levar essa dinâmica na temporada anterior, mas a partir do momento que se introduz o conceito de um universo paralelo na série, mostram-se seres que tomam forma de outras pessoas e que na verdade são “soldados” do outro mundo, não estava nem aí para o cara que viu o patrão com cabeça de demônio ou o povo com parasitas gigantes no estômago, queria ver mais sobre a mitologia da série, como o lance de William Bell ter tirado pedaços do cerébro de Walter (!!!), numa explicação inusitada mas que de alguma forma conseguiu soar inteligente sobre os lapsos de memória do nosso adorado cientista (álias, é inacreditável como Fringe consegue transformar quase tudo que é ridículo em algo inteligente, só envolver o Walter na história).

Não que os casos fossem ruins. Alguns deles renderam episódios sensacionais, como o do garoto que planejou o próprio sequestro a partir do controle mental (uma reviravolta genial, já que metade do episódio leva a crer que o moleque realmente foi raptado e os seus sequestradores que tinham os poderes paranormais) ou o da cidade de pessoas deformadas. Alguns dos melhores momentos da temporada, claro, foi quando o caso da semana incorporava toda a mitologia, como no excelente “August”, em que um dos Observadores quebra as regras tentando salvar uma garota por quem se descobre apaixonado ou em um dos episódios mais emblemáticos da série, relembrado até hoje pelos fãs, “White Tulip”, que conseguiu reunir TODOS os bons elementos de Fringe de uma maneira genial, juntando caso da semana, os universos paralelos e a história pessoal de Walter, que também tomou conta da 2ª metade da temporada.

Se antes só John Noble se destacava no elenco, nessa 2ªtemporada todo o elenco principal teve seu momento de brilhar. Anna Torv fez um trabalho absurdamente superior, talvez por se sentir mais confortável na personagem, e Joshua Jackson me impressionou, se mostrando extremamente competente em momentos cruciais, como quando descobre toda a verdade sobre seu passado. Sua reação contida e sua expressão impassível foram impecáveis. E é até meio irrelevante falar de John Noble não é? Walter Bishop sempre brilha na série e quando pensamos que não vamos mais nos impressionar com o ator, ele sempre consegue se superar (ainda não consigo esquecer da sua reação quando Olivia diz que Peter desapareceu do hospital). Também vale ressaltar as participações especiais de Leonard Nimoy nessa temporada, todas foram sensacionais. Sério, pensei que não ia conseguir vê-lo de outra forma a não ser como Spock, mas o seu personagem mais marcante nem sequer passou pela minha cabeça. Pena que ele encerrou sua participação no final dessa temporada.

E já que citei a história pessoal de Walter, vale destacar o que foi o melhor episódio da série até aquele momento. “Peter” trouxe a tona toda a verdade sobre Peter Bishop, explicando finalmente o inusitado momento do finale da temporada passada, quando vimos a lápide com o nome do filho de Walter. As suspeitas que vinham crescendo se confirmaram num cliffhanger do episódio anterior a esse (Outro exemplo de caso que se integrou perfeitamente com a mitologia, com o prédio do outro mundo que surgiu neste e vice-versa. O episódio, diga-se de passagem, foi espetacular) em que Olivia, que identifica coisas do mundo paralelo por um brilho que elas emitem (tá vai, soou tosco, mas na série é legal, sério), vê Peter brilhando.

O episódio foi inacreditável. Está no meu top 5 pessoal de melhores episódios da série até hoje. Teve a abertura anos 80 que foi GENIAL (essa versão do tema é viciante) e a revelação de que o Peter que conhecemos é na verdade do outro mundo, pois o Peter daqui morreu ainda criança. Isso era algo que estava ficando cada vez mais óbvio na série, mas ter a confirmação de tudo, ainda mais num episódio tão bom, foi muito válido. A partir daí, Fringe finalmente mergulhou de vez e sem medo na sua mitologia e no seu arco de histórias principais, rendendo episódios memoráveis (como o já citado “White Tulip”) e ainda um que, apesar de meio avulso, foi divertidissimo (mesmo sabendo que muita gente odiou… esse povo anda muito amargo, sério), o musical “Brown Betty”. É um daqueles episódios gostosos de se ver, visual noir, Broyles e Olivia soltando a voz, foi bem legal.

Para minha satisfação, o season finale conseguiu entregar absolutamente tudo o que estava prometendo e ainda deu muito mais! Foi uma grata surpresa ver o cotidiano da Fringe Division do  “lado B” no começo da primeira parte do episódio, apesar de todo mundo ser amigão, divertidão e engraçadão DEMAIS pro meu gosto (e Olivia com aquela perucona ruiva que parece estar ali só pra dizer “Ó, ESSA AQUI É DIFERENTE”) , foi bem legal ver esse mundo diferente. Mais legal ainda foi os personagens que já conhecemos viajando até o mundo paralelo para resgatar Peter, que foi levado pelo “Walternativo” (o Walter do lado B, que é meio evil). Olivia vs. Olivia, uma tomando o lugar da outra, William Bell se sacrificando pro pessoal do lado A voltar (tá, isso só aconteceu porque o Leonard Nimoy pediu pra sair da série, mas ok) e a declaração de amor de Olivia pra Peter, foi tudo excelente (sério, achei a cena dos dois bem bonita, Anna Torv mandou muito bem). Certo, o resto do pessoal com Cortexiphan, foi meio Heroes demais, principalmente aquela menina soltando fogo em cima do agente do lado B, mas mesmo assim, o season finale foi impecável.

O cliffhanger deixado pra próxima temporada foi incrivelmente promissor, só pra variar. No final, é revelado que as duas Olivias trocaram de lugar – ok, é revelado apesar disso ter ficado bem óbvio depois daquela explosão – com a Olivia do lado B se infiltrando na Fringe Division do lado A e a Olivia do lado A presa pelo Walternativo no lado B! E eu estava pensando que Fringe estava um pouco complexo e bem… digamos que eu já vi a 3ªtemporada e esse lance das Olivias passou a ser até um pouco besta demais comparado ao que foi apresentado. Mas isso é assunto pra outro post…

Sexta que vem, Fringe está de volta com a 4ªtemporada. E junto com ela, vem também meu post sobre a impecável 3ªtemporada da série, quando ela se estabeleceu de vez como a série de TV mais criativa da atualidade. Aguarde e confie! #Didimodeoff

P.S.: E aquele beijo do Broyles e da Nina foi O QUE exatamente?

P.S.²: Alguém me explica aquela cena final do episódio do menino telepata que forjou o próprio sequestro? Tipo, o moleque estava sendo testado e no final botam ele numa sala cheia de clones dele mesmo e aí? O que foi isso e o que tem a ver com a coisa toda? Foi só pra chocar mesmo?

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