Wonderfalls – Bryan Fuller & The Deathly Fox Executives

“89 bottles of beer on the wall, 89 bottles of beer.
Take one down and pass it around, 88 bottles of beer on the wall.”

Jaye, a daughther, is 24.

Surgindo das cinzas como uma fênix (OK, estou mais para ressurgindo da caverna na qual resolvi me esconder), venho compartilhar uma das séries mais prazerosas, carismáticas e interessantes que assisti em minha vida.

Trata-se de Wonderfalls, dramédia criada pelo genial Bryan Fuller (Dead Like Me, Pushing Daisies) exibida pela Fox (o que explica seu cancelamento absurdamente precoce), que com apenas 13 episódios incríveis contou a história de Jaye Tyler, atendente de uma gift shop em Niagara Falls, uma jovem graduada na Brown University que basicamente prefere evitar qualquer tipo de contato com qualquer coisa que respire e fale, que se vê na inusitada situação em que qualquer objeto com um rosto de animal começa a se comunicar com ela (leão de cera, ursinhos, flamingos de jardim e por aí vai) a obrigando a se colocar nas situações mais estranhas possíveis para ajudar o próximo, mesmo que isso signifique sua infelicidade.

Jaye Tyler, vivida pela ótima Caroline Dhavernas (Off The Map), simplesmente se tornou uma das minhas personagens favoritas de todos os tempos (sorry Kaylee de Firefly) com apenas 2 episódios. Dhavernas é extremamente cativante mostrando diferentes facetas de Jaye, desde seu lado “screw you, me deixem em paz” ao seu lado mais doce, caloroso e vulnerável.

O pavor e o “ah, de novo não” que ficam estampados na cara de Jaye cada vez que um objeto passa a se comunicar é garantia de um sorriso certo.

Aliás, já que estamos neste tópico, o que seriam essas vozes?

Deus, anjos, o diabo ou apenas sua imaginação? Como a própria protagonista chega a questionar em um dos episódios.

Interessante também é notar que cada objeto/animal possuem personalidades tão marcantes quanto dos personagens humanos. E eis que bate aquela saudade do jeitão sarcástico do leão de cera, do jeito filosófico do macaco de bronze e da fofura que era o burrinho de pelúcia.

Seja lá a origem das vozes, uma das grandes certezas que tenho é que esta é uma das melhores criações de Bryan Fuller, a melhor em minha humilde opinião, e que se junta a diversas outras séries prematuramente canceladas (R.I.P. Firefly, Pushing Daisies e Wonderfalls).

E como a excelência de Wonderfalls não se deve somente a Caroline Dhavernas e os ótimos roteiros, tenho que comentar um pouquinho do restante do elenco, que simplesmente foi um elenco tão perfeito quanto o de Friends, no qual é impossível dizer que você poderia excluir um personagem da série sem que ficasse um buraco imenso no espirito da série.

Primeiro temos a magnifica Sharon Tyler (Katie Finneran) como a irmã mais velha de Jaye, uma advogada que apesar de suas diferenças com a irmã no começo da série, sempre acaba socorrendo a Jaye, principalmente nos problemas que envolvem a lei (sim, Jaye se complica diversas vezes com a lei por conta das vozes).

Sharon também é responsável por uma das tramas mais interessantes e divertidas ao longo da série. Ela é lésbica não assumida (apenas Jaye sabe) e todo seu arco tentando balancear seu relacionamento e esconder o fato do restante da família por medo de como isso afetaria sua vida é apresentada de uma forma divertida (principalmente no segundo episódio, “Pink Flamingos”) sem desrespeitar o público gay.

Darrin e Karen Tyler de certa forma representam uma versão meio peculiar do all american couple, com vários momentos non-sense que todo pai e mãe acabam protagonizando dando um dia.

Temos também o grande Lee Pace (Ned de Pushing Daisies) como Aaron Tyler, estudante ateu de teologia que começa a levantar suspeitas sobre as estranhas atitudes que Jaye passa a exibir (“Lying Pig” contém uma de suas cenas mais engraçadas) e que passa a ter um divertido romance às escuras com Mahandra (Tracie Thoms – Cold Case e À Prova de Morte), melhor amiga de Jaye e a voz da razão em diversas ocasiões, e que por isso teme que sua relação com Aaron afete sua amizade com Jaye e o restante dos Tylers.

Por último, mas não menos importante, temos o adorável Eric Gotts, bartender do The Barrel que chegou a Niágara Falls para sua lua de mel somente para ser chifrado por Heidi (Jewel Staite, a eterna Kaylee de Firefly!!! Bitch como nunca visto antes) com um funcionário do hotel, fugindo inconsolado e afogando as mágoas no The Barrel (bar/restaurante, uma espécie de Central Perk da série), chorando inconsolavelmente por 3 dias até que conseguir o emprego de bartender.

Eric logo demonstra interesse em Jaye, que tenta ignorar o moço por várias desculpas esfarrapadas como “Eu tenho problemas demais”, mas no fundo morre de vontade de corresponder.

A dinâmica entre Eric e Jaye é tão fantástica e adorável que é fácil um dos casais mais fofos de uma série que já vi, criando um empate triplo com Jim & Pam de The Office, Lorelei & Luke de Gilmore Girls e Leslie & Bem de Parks & Recreation. Alias, o casal de Parks & Rec me deixou no mesmo nível de tortura por torcer fervorosamente para os flertes resultassem finalmente em um romance. Sério, todo episódio tinha algum momento em que eu gritava “SHUT UP AND KISS!!!”.

Já disse que Jewel Staite está na série? Eu sei que já, mas é impossível não ressaltar como ela está impecável como a desgraçada da Heidi (ex-esposa do Eric), não nos dando qualquer traço da adorável Kaylee, mas sim uma performance de bitchness pura de fazer inveja a qualquer vilã global do horário nobre.

Infelizmente, nem mesmo um elenco extremamente talentoso, personagens cativantes e interessantes, roteiros originais e todo o brilhantismo de Bryan Fuller e Todd Holland não foram suficientes para salvar a série das garras perversas da Fox, que por sinal praticamente matou a série antes mesmo de ela estrear. #FuckYouFox

E sabe o que mais dói com esse cancelamento???

Nos extras do DVD, Bryan e os roteiristas revelaram os rumos que a série tomaria na segunda e terceira temporada… E let me tell you my friend, teriam sido temporadas fantásticas.

E aqui fica o meu apelo, dê uma chance a essa série maravilhosa… E por favor, sintam-se a vontade para me apedrejarem por apresentar esta delicia que durou tão pouco e deixou um gostinho de quero mais. Até hoje amaldiçoo o dia em que decidi ouvir a sugestão do Aécio e me apaixonar somente para ter meu coração seriador quebrado pelo cancelamento. Hehe

Se mesmo assim você continua em dúvida se a série vale a pena, assista os primeiros 2 minutos da série e me diga se é possível não se apaixonar logo de cara (e olha que nesses 2 minutos é só uma narração sem mostrar os personagens principais).

Curiosidade: Lee Pace e Tracie Thoms não estavam no piloto original, Aaron e Mahandra foram originalmente interpretados por Adam Scott (!!!) e Kerry Washington. Ambos tiveram que abandonar a série por causa de outros projetos, mas convenhamos… Ainda bem né!

O piloto original você pode conferir aqui:

 

Se mesmo depois de tudo isso você ainda não der uma chance para a série, Jaye Tyler te desprezará da mesma forma que despreza a Fox.

Assistiu? Curtiu? Tá em dúvida mesmo assim? Quer ler mais sobre a série? Clique AQUI para ler o que o nosso Aécio pensa sobre a série.

Fonte: Cover gif

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