Episódios que marcaram: Lost 6.17/18 – The End

Há um ano atrás, a Internet experimentou um grande momento. Quem seguia pelo menos 10 fãs de séries no Twitter experimentou um domingo a noite de rara calmaria na timeline. Por 3 horas, pessoas no mundo inteiro simplesmente pararam tudo o que estavam fazendo para se concentrar em um acontecimento que, independente da série não ter continuado a mesma coisa com o tempo, era um dos mais aguardados da televisão nos últimos tempos.

O último episódio de Lost foi um momento tão marcante quanto o seu primeiro. Era o fim de uma série única, que criou uma relação inigualável com os seus fãs e se despedia deixando um vazio que até agora não foi preenchido. A frase é cafona e deve ter sido falado em pelo menos 9 de 10 textos sobre o assunto, mas ela é inevitável: “The End” foi o fim de uma era.

Desde o seu primeiro momento, Lost foi diferente. Sempre apostou alto, sempre arriscou e manteve isso até seu último minuto. Por mais que os riscos tomados tenham ficado cada vez mais bizarros – no começo, era a intrincada mitologia envolvendo Iniciativa Dharma e no final, cavernas de luz e um mané metido a deus da ilha convocando pessoas – quem era fã mesmo não largou a série. Xingava semana a semana, parecia que continuava assistindo só pra poder listar os defeitos de cada episódio… mas não abandonou. Os criadores conseguiram montar a série de tal forma que num determinado ponto não dava pra ter ideia de como ela iria terminar.

Depois do final inacreditável da 5ªtemporada, com uma bomba H explodindo no meio da ilha, todo mundo ficou ansioso pra ver como seria a última temporada. Seria uma temporada de respostas, onde a cada episódio teríamos mais e mais revelações sobre todos os mistérios da ilha? Será que tudo voltaria ao início, com o voo 815 passando direto pela ilha e aí sabe-se lá como a série iria andar? Ninguém fazia a menor ideia do que ia acontecer e todo mundo foi surpreendido com a manobra dos roteiristas de reinventar a série mais uma vez criando o conceito das realidades paralelas. Os “flashsideways” soaram uma ideia absolutamente genial e inovadora e a princípio, parecia que a temporada tinha tudo pra ser a melhor.

Mas isso nos 5 primeiros minutos do episódio inicial. O que seguiu, tanto nesse quanto nos episódios seguintes, foi uma decepção aterradora. Ao invés de responder as coisas, a 6ªtemporada inventou duas dúzias a mais de perguntas, todas relacionadas a uma das tramas mais estúpidas que já vi em muito tempo, envolvendo um templo cafona e um bando de pessoas completamente descartáveis que só atrasavam a trama. Enquanto isso, os flashsideways pareciam caminhar para lugar nenhum, com histórias bacanas de se ver, mas sem nenhuma grande relevância para a trama num geral.

Demorou até demais, mas depois de um tempo, a temporada parecia estar caminhando para algum lugar. Toda a ideia de Desmond ser o elo entre as duas realidades deixou tudo mais empolgante e a esperança de um ótimo final enfim ressurgiu. Até que, depois de mais alguns bons e péssimos episódios, o momento derradeiro finalmente chegou. O episódio final de Lost veio já com a certeza de que boa parte das perguntas morreriam na praia e nunca seriam respondidas, mas dado o nível das respostas que já tinham dado até aquele momento, era até bom que não respondessem mais nada (Caverna de luz? Rolha que guarda o mau?).

“The End”, no fim das contas, de fato não respondeu praticamente nada. O episódio inteiro foi movido pela emoção, pelo fechamento das histórias de cada personagem, encontrando seus caminhos e a história, uma jornada tão grandiosa, finalmente tendo seus últimos momentos. Eu ignoro toda a trama com a rolha (que no fim, era REALMENTE uma rolha) e aquele final na igreja que parece ter sido escrito por Manoel Carlos, com o elenco todo reunido, sorrindo e se abraçando, só faltando mesmo uma bossa nova de fundo. Isso e a resposta do que significavam os flashsideways – solução que parece ter sido criada nos 45 do segundo tempo – podem ser deixados de lado só pra levarmos em conta o fim da jornada.

E sempre achei genial o artíficio de terminar uma história do mesmo modo e no mesmo lugar que ela começou. Por isso, foi difícil não se emocionar com Jack voltando ao bambuzal, gravemente ferido e se deitando ali, apenas esperando o seu inevitável fim, com Vincent deitando ao seu lado. Num momento digno de Desmond Hume, foi como se a série inteira passasse pelos nossos olhos e a verdade devastadora desabasse: Lost, a série que envolveu os telespectadores como nenhuma outra tinha conseguido antes, iria acabar de vez. Não tinha como adiar o momento. E sob os últimos acordes da espetacular trilha de Michael Giacchino que embalou a série nos seus seis anos, Jack ainda conseguiu provar a sua nobreza até o último minuto de vida: foi só quando viu o avião que levava os poucos sobreviventes daquela jornada para casa voando seguramente, foi que ele se entregou e, fechando os mesmos olhos que deram a partida na série, fechou também seis anos que os fãs de séries jamais vão esquecer.

Lost deixou um legado inegável para a TV. Rumos duvidosos e respostas toscas à parte, a série foi o marco zero para levar as séries de TV num outro nível. Desnecessário falar de como apenas asssistir um episódio virou só uma parte de um longo ritual (NÃO, não foi proposital, hahaha) e da ligação TV-Internet criada a partir da série. Mas foi sem dúvida um dos programas mais importantes da televisão mundial. E mesmo depois de um ano que acabou… ainda faz uma falta imensa.

One Response to Episódios que marcaram: Lost 6.17/18 – The End

  1. Fabiana disse:

    Incrível pensar que tudo acabou, que a série não causa mais aquela expectativa. Eu continuo fã de séries, mas confesso que nenhuma tem a importância de Lost. Eu sinto falta do assunto Lost, sinto falta de correr atrás do episódios na net e depois acompanhar os comentários sobre o episódio nos blogs.
    Nenhum outro programa de tv causou tanta expectativa nas pessoas, foi mesmo uma fase marcante.
    A série é um marco na TV, que para mim nunca mais foi a mesma.
    O final foi mesmo um fiasco, mas quando alguém fala isso para mim eu sempre defendo a série, ela foi inovadora e fantástica como nenhuma outra e o que ficou na minha memória não foi o final, mas sim o durante.

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