Retrospectiva 2010: Um ano de grandes despedidas…

A década passada foi uma nova era de ouro para a TV americana. Houve uma explosão de criatividade, séries diferentes e inovadoras inauguraram uma nova geração para as séries de TV. Uma das que inauguraram isso foi 24 Horas, que trazia um formato diferente e até então inédito em séries e, 3 anos depois, veio Lost e nem preciso parar e falar tudo o que a série inovou aqui, até porque ninguém aguenta mais ouvir isso.

Em 2010, foi um baque e tanto para o mundo das séries ter que se despedir dessas duas séries, que marcaram uma geração de seriemaniácos. Quem vai ser capaz de cobrir o vazio deixado por Lost e 24 Horas?

Na internet, se acham dúzias de textos falando da importância dessas duas séries para a TV americana. Por isso, achei digno fazer de uma forma um pouco diferente e dizer como essas séries foram importantes e vão fazer falta para nós, viciados em séries.

Começando por 24 Horas. Parecia até sacanagem, mas a série, cujo principal ambiente é a Unidade Contra-Terrorismo (CTU, no original), estreou em 2001, apenas alguns meses depois do fatídico 11 de setembro nos EUA. Sem fazer um sucesso significativo no início, foi descoberta pelos americanos só quando foi lançada em DVD e ao longo dos anos, foi garantindo sua popularidade, que chegou ao auge na 5ªtemporada – não só o recorde de audiência da série como o ano da sua consagração no Emmy, pelo que foi de fato sua melhor temporada.

Numa era em que os heróis do cinema saíram dos quadrinhos, Jack Bauer surgiu como o primeiro grande herói da ficção no século XXI. E faz exatamente o tipo do herói moderno: aquele que está longe de ser perfeito, tem defeitos, comete erros, as vezes quebra as regras em razão do bem maior. A mistura do cara durão mas de coração enorme e o carisma de Kiefer Sutherland fizeram Bauer virar um ícone da TV e um personagem amado por milhares.

24 Horas tinha um clima tenso e urgente que não existe em nenhuma outra série hoje. Tudo parecia por um fio e o menor movimento errado colocaria tudo a perder – como aconteceu tantas vezes. Isso, os esquemas absurdos de Chloe para conseguir as coisas para Jack, os vilões, os presidentes sempre excelentes – exceto Wayne Palmer, hehe – e claro, o formato em tempo real, que fazia da série algo único na TV, vão fazer falta na vida dos fãs.

E aí… temos Lost. Quem me conhece, seja pessoalmente seja só aqui no blog, sabe bem como é complicado pra mim falar dessa série em poucas linhas. Lost foi a primeira série que de fato acompanhei – Friends já tinha acabado quando assisti – passei a esperar cada episódio religiosamente a partir da 3ªtemporada e a série acompanhou praticamente uma fase inteira da minha vida.

Parece sentimentalismo barato, mas tantos outros fãs da série vão confirmar que ela marcou a vida de cada um. Quando um episódio estava para começar, acontecia algo que não acontece com outras séries, era uma mobilização geral para assistir a mais um episódio de Lost e os fãs só voltavam a existir para o mundo 42 minutos depois. Durante a exibição do último episódio, o Twitter ficou deserto, explodindo assim que tudo acabou de vez.

Lost pegou o espectador desde o primeiro frame, com o olho abrindo assustado e, minutos depois com uma sequência de tirar o fôlego no meio de um acidente de avião. Os mistérios instigavam, as histórias de cada personagem – quase todos brilhantes, cada um a seu modo – deixavam o telespectador curioso. Criaram-se fóruns, as rodinhas de conversa, o assunto da manhã no trabalho, a série de J.J. Abrams havia fisgado o público de um jeito inacreditável.

Quando acabou, em 23 de maio desse ano, muita gente já xingava a série – tal como gostar no começo, xingar perto do fim também tinha virado moda – que de fato decepcionou na sua temporada final, se perdendo em tramas desnecessárias e com respostas que não cabiam para a ideia inicial da série. Mas o episódio final foi fantástico – fora a última cena na igreja e a bendita rolha, momentos babacas de 2010 – com cenas inesquecíveis (Jack fechando o olho…) e um clima de despedida inconfundível.

O tempo passou rápido demais, mas até quem ficou frustrado com a série no final – eu só não curti essas duas coisas que já falei – hoje sente saudades de toda a empolgação que ela causava, pois é algo que não teremos com outra série tão cedo. Passar noites discutindo teorias, esperando episódios, pesquisando sobre as coisas, quando íamos imaginar que uma simples série causaria tudo isso? Lost vai fazer falta pelo clima de novidade, por ser imprevísivel e envolvente como nenhuma outra.

Agora, as duas acabaram, deixando um legado inegável para nós e para a TV. É cedo para tentar procurar substitutos e é bem provável que jamais encontrem séries a altura. Nem pela questão de qualidade, mas pelo que elas causaram com o público. Será que teremos alguma grande surpresa em 2011? Enquanto não descobrimos isso, o relógio fica zerado, o olho fechado e anos excelentes de entretenimento ficam na memória…

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E com esse post triste (hehe), se encerra a Retrospectiva 2010 no Ritual de Séries. Agora, rumo a 2011 com novas temporadas e muitas novas séries! Até lá!

One Response to Retrospectiva 2010: Um ano de grandes despedidas…

  1. TAMARA SEBALDE disse:

    PERFEITO. Gostei do que você narra sobre a serie que amo e tenho todas as temporadas, 24 horas, principalmente porque sou fan do KIEFER SUTHERLAND. Obrigada por COMPARTILHAR. Quanto a outra serie eu tentei acompanhar não consegui.

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