Review: The Walking Dead 1.04 – “Vatos”

Depois de um episódio bacana, mas puro filler, The Walking Dead vai além de qualquer expectativa e ataca com um dos melhores episódios que vi em 2010. Culpa dele, já começa a bater a depressão de estarmos na reta final da temporada…

Só o cliffhanger do episódio anterior já antecipava que esse não ia ser pouca coisa, com a mão de Merle esquecida no alto do prédio e seu irmão gritando desesperado. Mas eu não estava preparado para tudo o que aconteceu aqui. Incrível como todas as tramas foram boas, todas as cenas tiveram seu propósito (ok… menos uma, que vou citar mais pra frente), nada foi totalmente gratuito. Um roteiro tão bom assim se explica pelo seu autor: ninguém mais ninguém menos que Robert Kirkman, o criador da HQ que originou a série. Nada mais justo este ter sido o melhor episódio até agora, não?

A colônia de sobreviventes, mesmo antes do ataque no final, estava surpreendentemente interessante. O papinho “Quero papai e mamãe” do começo do episódio era algo meio inevitável quando se tem duas irmãs e como todo papinho desse tipo em séries ou filmes, conseguiu comover e eu adorei finalmente terem apresentado o último elemento de um grupo de pessoas desoladas que não se conhecem direito: o maluco. Sempre tem que ter um e esse não poderia deixar de ser interessante.

Quando ele contou sua história, eu realmente pensei que o cara só estava cavando ali para fazer algo simbólico pela família que perdeu (é, eu sei, meus pensamentos são incrivelmente cafonas, mas oi, eu vi a 6ªtemporada de Lost), mas também, a última coisa que eu – e acho que todo mundo né – imaginava era que o cara… huum… sonhasse com o futuro. Ou pelo menos foi isso que eu acho ter acontecido.

Se foi mesmo, só peço que Frank Darabont não transforme The Walking Dead num True Blood de zumbis. Começou com esse cara, achei super-legal e bem sinistro, mas pode parar por aí com paranormalidades. Para se ter uma ideia de como o episódio foi excelente, nem Shane conseguiu me incomodar! Na verdade, até gostei do personagem nesse episódio, @nerdloser conseguiu me convencer, ele tem lá seu carisma. Mas eu continuo rindo da cara de susto da Lori, hehe.

O review já está grande e eu nem comentei sobre os 4 malucos que voltaram pra cidade, a procura de Dixon e para resgatar as armas de Rick. Apesar dos eventos na colônia, foi aqui que vimos como a série consegue ser inteligente mesmo mostrando tripas sendo arrancadas e cabeças explodindo. O quarteto acaba se encontrando com um grupo de caras mal-encarados, que também querem a bolsa com armas e por isso, sequestram Glenn – bom, por isso e por Daryl ter metido uma flecha na bunda do careca sinistro. Arma-se uma confusão enorme que por pouco, não termina numa briga feia entre os dois grupos.

Na verdade, os “vilões” eram na verdade mais um grupo de sobreviventes, mas esse com causas mais nobres: eles resgataram vários idosos dos hospitais, pois não há ninguém para cuidar deles. No entanto, a sacada acontece antes de descobrirmos isso (até porque isso nem importa muito), quando o quarteto discute o que vai fazer. T-Dog diz que o mundo mudou e um dos “Vatos” retruca:

Não mudou nada. É o mesmo de sempre. Os fracos são pegos.

E depois de toda essa situação envolvendo os dois grupos, vemos que infelizmente, ele tem razão. O mundo, mesmo depois desse holocausto zumbi, continua igual e não só porque os fracos são pegos. Mesmo com uma ameaça tão iminente como os zumbis, os humanos continuam incapazes de se unir, de confiarem uns nos outros e continuam se vendo ameaçados não só por zumbis, mas pelos seus semelhantes. No fim, com ou sem mortos-vivos, o homem continua sendo o ser mais ameaçador do planeta.

Enfim, chegamos ao melhor momento da série até agora. Se a ameaça dos humanos com eles mesmos fica nas entrelinhas, ataques zumbis já são diretamente ameaçadores. E pegam todo mundo: personagens e telespectadores, de surpresa. Confesso que eu fiquei em choque quando Ed abriu a barraca e deu de cara com uma zumbi medonha e, a partir daí, mal consegui ficar sentado assistindo. A invasão zumbi na colônia dos sobreviventes foi fantástica, bem dirigida, editada e desesperadora.

Que trasheira divertida, daquelas dignas dos melhores filmes de zumbi antigos. Só aquele close na Amy tendo um pedaço do pescoço arrancado já soou muito anos 80. Apesar de ter servido em parte para matar metade dos figurantes, a sequência foi excelente. E o final, apesar do baita furo (a irmã de Amy toda lambuzada de sangue agarrando a irmã que acabou de ser mordida… pra que aquela proteção toda no episódio 2 então?) foi triste, mesmo a gente mal conhecendo os personagens – desvantagem de matar um dos personagens centrais numa temporada tão curta.

O episódio foi excelente por ter seguido exatamente o que eu falei que faltou no anterior: o equilíbrio perfeito entre drama e ação, entre a série sobre pessoas desoladas e a série trash de zumbis. Depois de um episódio meio parado, conseguiram acertar o tom com perfeição. Mesmo com uns pequenos defeitos, foi fácil o melhor episódio da série até agora e um dos melhores que vi esse ano. Só espero que continue assim na reta final.

Nota: 10

P.S.: Bem que falaram que os dialogos da HQ eram idiotas. Kirkman soube fazer um roteiro bem estruturado e com boas histórias, mas sério, mais uma conversinha “brilhante” em volta da fogueira como a desse episódio e eu vou passar a correr cenas do tipo nos próximos. Foi: Comentário-risadinha-comentário-risadinha-frase filósofica-silêncio de reflexão-piadinha pra quebrar tensão-risadinha. Ah, tenha a santa paciência.

P.S.²: HILÁRIO a vó do cara aparecendo do nada no meio de um monte de gente com armas apontadas uns para os outros. Não, isso não foi um elogio, a situação foi de uma tosquice imensa e o humor foi involuntário. Mas vovó comanda, pareceu paródia de filme policial, sério.

P.S.³: Eu terminei o episódio me perguntando o que raios era “vatos”. E uma rápida pesquisa explica que é uma gíria mexicana para “mano”. Isso explica algumas coisas…

3 Responses to Review: The Walking Dead 1.04 – “Vatos”

  1. Fabricio disse:

    Só uma critica. A Cena da fogueira era pra monstrar como eles estavam tranquilos e vulneráveis, e aumentar a tensão do ataque, pois deixa claro que eles não esperavam e foram pegos totalmente de surpresa.

    Além disso, em relação ao sangue da irmã na outra, é simples… trata-se de uma infecção. No ep. 2 eles pegam caras já transformados em zumbis, ou seja, totalmente contaminados. Amy tinha acabado de morrer, assim, seu sangue era de humano mesmo, a infecção ainda não tomou o corpo, tanto que ela não voltou imediatamente… espere no ep. 5 que a Amy “acordará” no dia seguinte, ou seja, a infecção demorou 1 dia pra se espalhar pelo corpo.

    • Marcelo Silva disse:

      Não, sem problema com a cena em si, até entendo seu significado e acho bacana. A implicância mesmo foi com os dialogos que rolaram na cena, uma baita coisa imbecil que, sinceramente, dava pra ter sido bem melhor. Mas quanto a sua explicação, faz todo o sentido.

      Quanto a Amy, my mistake, hehe. Só acho meio triste a Amy virar um zumbi… não pela tragédia e talz, mas porque aposto minha coleção de boxes de séries que no fim, teremos uma cena comovente e ela vai acabar morta pela própria irmã, quer apostar, hehe?

  2. nerdloser disse:

    é, de fato, a gente discordou em absolutamente tudo. mas seu review foi mó legal, foi bem escrito e eu até entendi o seu ponto de vista.

    por pior que o episódio tenha sido (pra mim), a série ainda é muito, muito boa e não escrotiza com a inteligência da gente, tipo a 6a temporada de lost.

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