Review: In Treatment 3ª Temporada – Week 2 (3×05-3×08)

A tendência em In Treatment é que com o avançar das semanas as coisas vão ficando mais complexas e profundas. Nessa temporada não poderia ser diferente e já temos uma week 2 excelente, com uma carga dramática de arrepiar os, já bastante orgulhosos, fãs da série.

3×05 – Sunil – Week 2

Eu acho que o Sunil tem tudo para ser um dos personagens mais marcantes dessa temporada, no entanto, acho essa semana ele foi o que menos me chamou atenção. Não, por favor, não me joguem pedras!! Não estou dizendo que o episódio dele não foi excelente, pelo contrário, fiquei sem piscar durante toda a terapia dele, mas de alguma forma ainda acho que a evolução de Sunil está mais lenta quando comparado com Frances e Jesse.

Os problemas e conflitos da vida de Sunil começam a ganhar forma, já começamos a entender algumas coisas que estão incomodando Sunil em sua vida. Estamos falando de um viúvo que está com sérios problemas para tentar superar a morte da sua esposa, porém o foco das queixas de Sunil não é a finada Kamala e sim Julia, sua nora. A convivência entre Sunil e Julia está cada vez mais complicada, fica comprovado de que não é de hoje que ele (e Kamala) tem problemas com Julia. O bacana é que Paul é ótimo ao tentar entender a raiz desses problemas, já deu pra perceber que estamos tratando de algo bem mais preocupante do que podemos imaginar, afinal estamos falando de In Treatment aqui.

Encerramos a sessão com várias perguntas, é impossível não pensar nas frustrações de Sunil e não começar a se preocupar com o personagem. Teria ele inveja da vida menos regrada e mais livre do filho, Arun, que se afastou do modo de vida hindu depois de conhecer Julia? Qual a real história por trás desses problemas dele com Julia? Até quando vai durar esse estado de luto dele? E também, como ele está lidando internamente com os choques de cultura e preconceitos que ele está vivendo nos Estados Unidos?

3×06 – Frances – Week 2

Sabe aqueles episódios de In Treatment que tu assiste e parece que estão apertando teu coração a cada segundo e aí quando ele termina você precisa dar uma boa respirada pra tentar tocar a vida adiante mesmo estando na famosa depressão-pós-episódio-de-In-Treatment? Então essa segunda sessão da Frances fez exatamente isso comigo e não é a toa que ela acaba de virar a minha personagem preferida dessa terceira temporada.

Não tem como tu assistir In Treatment e não se identificar com um ou com vários dos conflitos dos seus personagens. O curioso nisso é que não esperava nunca que eu fosse identificar algo de mim numa personagem como a Frances, uma atriz de 52 anos com problemas que nem de longe se parecem com os meus, mas foi o que aconteceu.

Frances é uma personagem mais complexa do que eu imaginava. O problema dela em decorar as falas para a peça dela é só um sintoma mínimo para todo um gigantesco conflito que ela tem dentro de si. Essa semana Frances roubou a cena comentando a péssima relação que ela tem com a filha e se mostrou, agora mais claramente, como uma pessoa infeliz, egoísta e sozinha. É muito triste assistir o drama de Frances. As cenas dão uma sensação de impotência tremenda por não termos a chance de dar pelo menos um abraço sequer na personagem, que sofre sozinha e visivelmente não está conseguindo mais suportar seus problemas.

Não, não estou dizendo que Frances é uma pessoa santa, acho que é quase o contrário, ela é uma mulher bastante egoísta, fútil, cheia de falhas e que pensa em si acima de tudo. Mas não tem como não se comover ao ver Frances quase desejando a morte de Patricia para que assim ela possa ter alguma proximidade com a filha, que hoje é mais próxima de Patricia do que dela. É doloroso pensar que essa é a única forma que Frances vê para fazer as pazes com a filha, mas no fundo ela só quer sair dessa solidão que já vive por tantos anos.

Eu estou fascinado pela personagem e por isso bato palmas em pé pra esse episódio que acaba mostrando o quão complicado pode ser a natureza humana e não tem como não pagar pau pra atuação brilhante da Debra Winger, que está excelente como Frances.

3×07 – Jesse – Week 2

Olha, sinceramente, o que eu acho que o que faltou para o Jesse foram algumas boas surras pra ver se ele crescia menos problemático do que ele é hoje. Deve ser muito complicado conviver com um jovem cheio de conflitos e tão extremista quanto Jesse. Cara, se ele consegue tirar até Paul do sério, imagina como deve estar a situação dele com Marisa, sua mãe adotiva.

Essa semana a bomba-relógio da temporada (aka Jesse) voltou ainda mais desbocado e revoltado com o jeito passivo de Marisa, que parece aceitar todos os comportamentos de Jesse, por mais absurdos que eles sejam. Jesse não consegue negar que está irritado porque Marisa não tem condições financeira para pagar a faculdade de Artes que ele tanto quer fazer. É a típica birra de adolescente que não consegue o que queria.

Mas Jesse é um cara incrivelmente complexo, por isso fica impossível não gostar do personagem que segue a mesma linha de genialidade de April e Sophie. Jesse afasta as pessoas de perto dele, vive numa defensiva constante, tem no olhar uma inegável raiva e revolta, mas ao mesmo tempo demonstra ser um cara gentil e atencioso. É bem legar ver ele se mostrando preocupado tentando arranjar uma namorada pro Paul, né?

Os problemas dele com Karen, sua mãe biológica continuam, eu espero MUITO que eles se conheçam logo porque a sessão em que ele for comentar isso vai ser genial. Além disso, ainda têm os conflitos amorosos/sexuais que ele está vivendo ao se ver sendo “perseguido” por um cara que está querendo conhecê-lo melhor. E não tem como não terminar essa review sem comentar Jesse falando sobre Max para Paul, as palavras que Jesse disse com certeza vão ecoar pela cabeça de Paul por um bom tempo.

 

3×08 – Adele – Week 2

Eu sou team Paul & Gina até a morte, mas, cara, essa Adele está sendo uma psicóloga incrível. É impressionante ver como ela está sabendo lidar tão bem com os problemas do Paul e desvendando coisas que ele nunca tinha se dado conta nesses 20 anos de terapia que ele teve com Gina.

Essa semana a pauta dos dois foi gigantesca, começando com Paul se mostrando revoltado com Gina, que estava ignorando suas ligações e que havia criado, em seu livro, um personagem infeliz e amargo que Paul alegava ser a pessoa que ele demonstrou ser nessas décadas de terapia com Gina. Ver Paul furioso com Gina é algo que me fez sentir saudades daquelas cenas incríveis que ele tinha com ela nas temporadas passadas.

No entanto, os problemas de Paul são maiores que isso, o vemos sofrendo mesmo ao falar da doença que ele pode estar passando para o seu filho. Podemos identificar ai dois problemas, a preocupação que ele está tendo com o filho que está numa fase dark e introspectiva, o que deixa Paul muito preocupado. E o outro problema é a doença de Parkinson que é provavelmente a maior preocupação da vida de Paul.

A incerteza, o fato dos médicos não poderem precisar se Paul tem ou não a doença e saber que ele vai ter que esperar os sintomas aparecer para que se possa diagnosticar a doença, deixam Paul em um estado de desespero que nunca vimos antes. Fico preocupado com Paul, essa doença que ele pode ter é algo que, com certeza, está deixando os fãs da série muito aflitos.

No meio de tudo isso, de todas essas queixas temos Adele, que em alguns momentos consegue o respeito de Paul e em outros ao fazer algumas considerações sobre fatos da vida de Paul, acaba deixando ele ainda mais revoltado. No entanto, não tem como negar que Paul está fazendo um avanço gigantesco nas suas terapias e Adele está sensacional ajudando ele a enfrentar todos os conflitos que vive.

 

É isso, mais uma semana e mais uma review gigantesca de In Treatment que continua E-X-C-E-L-E-N-T-E. Até a próxima, pessoal!


 

Sobre Aécio Rocha
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