Conhecendo e se viciando em “Oz”

Muito antes de nos presentear com a máfia da “Família Soprano”, com a morbidez da família Fincher de “Six Feet Under” ou com as aventuras sexuais de “Sex and The City”, a HBO no final da década de 1990, em sua primeira produção, nos apresenta a um drama que com certeza é diferente de tudo que nós já vimos na televisão. “Oz” é uma série extremamente bem escrita, com uma carga dramática assustadora, intensa e, acima de tudo, coerente. Quase 15 anos se passaram desde a exibição da primeira temporada da série, só agora criei vergonha na cara e fui conferi-la e o que posso dizer até então?!

Foram apenas oito episódios, mas parece que foram vinte porque tanta coisa aconteceu na prisão de segurança máxima Oswald (carinhosamente conhecida como “Oz”) e foram tantas histórias e dramas que ficamos com a impressão de terem sido mais episódios. A série já inicia com um piloto incrível (mesmo!), apresentando a triste rotina da vida dos inmates de Esmerald City (subdivisão da Oz) e logo nas primeiras cenas me surpreendo com Harold “Michael de Lost” Perrineau fazendo a narração perturbadora da série e tive que reconhecer o ótimo trabalho dele no papel do Augustus.

As tribos/gangues já estão devidamente delimitadas no primeiro episódio da série, temos os latinos, os italianos mafiosos, os arianos, os niggers, os muçulmanos entre outras, além disso temos todo o universo de personagens na administração da prisão, ou seja, é gente pra caramba. E é essa divisão entre as gangues que gera um nível de tensão ABSURDO para a série. Os preconceitos, o ódio entre as gangues e a violência são coisas que estão sempre presente nos corredores da Esmerald City e nunca em toda minha “vida de séries” eu vi personagens surgirem e morrerem tão rápido como em “Oz”.

Mortes, violência, corrupção, tráfico, sexo, religião, liberdade são algumas das temáticas que são direta ou indiretamente abordadas ao longo desses episódios. O drama vai inserindo seus personagens dentro desses temas e temos a oportunidade de conferir o quão interessante/assustador é o comportamento humano, ainda mais nessa situação terrível.

O primeiro ano da série tem cenas muito fortes e marcantes, como o encontro da mãe da garotinha atropelada com o Beecher, que é uma cena dramática ao extremo e que dá uma grande emoção a quem está assistindo. Mas falando mais especificamente sobre o Tobias Beecher, o (ex)advogado, participou de alguns dos momentos mais tensos dessa temporada e não é a toa que encerramos a temporada com um personagem totalmente diferente do que ele era quando chegou em Oz, uma mudança violenta e assustadora, mas totalmente coerente.

O Adebisi a cada episódio se prova um personagem mais odioso e claro, olhar pro ator e lembrar do Mr. Eko ajuda um pouco. O mesmo acontece com o Vern, que também merece continuar levando umas boas surras do Tobias como vingança depois daquele bullying descarado. Fiquei com um dó do caramba da Diane/Carmela Soprano/Nurse Jackie ter se ferrado por se envolver no tráfico de cigarros e me revoltei bastante com as atitudes estúpidas daquele governador imbecil (Zeljko Ivanek sabe fazer um cara filhodaputa cretino como ninguém!).

Putz quase esqueço de comentar as penas de morte que tivemos, primeiro tivemos a cadeira elétrica do Keane e depois o Groves escolhendo morrer numa espécie de paredão, duas mortes bem marcantes dentre as dezenas que tivemos até então. Ah e caramba, como esse Groves era um cara aterrorizante, a história dele ter sido preso por matar e depois devorar o corpo da mãe dele é algo bem perturbador.

Caminhando para a season finale temos um cenário de total caos em Esmerald City e nada mais esperado que uma rebelião por parte dos inmates. Cenas bem tensas acontecem para que eles consigam o controle da prisão, sério T-E-N-S-A-S MESMO! E o que eu achava engraçado é os personagens da série, sejam eles presos ou funcionários do presídio, são tão corruptos e profundos que ficava complicado torcer para que algum dos lados se desse bem. O gancho que fica para a segunda temporada não poderia ser melhor, acabamos vendo os policiais invadindo o presídio, os inmates com uma violência absurda, pessoas sangrando, ou seja, a próxima temporada já vai começar num excelente nível e eu já estou me preparando para começar a assisti-la.

Eu recomendo muito a você que não conhece essa série que dê uma chance para conhecer “Oz” porque, com certeza, vai valer a pena. É uma série extremamente viciante, com temporadas bem curtas, com roteiros inteligentes e que vai te fazer refletir sobre várias temáticas polêmicas. Não posso esquecer de dizer que o selo HBO de qualidade se faz presente e que se isso não fosse suficiente pra você ir assistir a série, então ainda tenho mais um argumento, você tá deixando de ver uma excelente série que ATÉ O SBT E O SILVIO SANTOS souberam dar valor a exibindo durante vários e vários anos. Portanto, recomendo que você deixe de lado uma dessas séries bobinhas que você está assistindo e passe a se viciar nesse drama excelente chamado “Oz”.

Nos encontramos aqui no review da segunda temporada.

Sobre Aécio Rocha
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3 Responses to Conhecendo e se viciando em “Oz”

  1. lea disse:

    Poxa que legal encontrar um post sobre a finada Oz. Depois que venci meus preconceitos contra a série e dei uma chance (numa das madrugadas do sbt) fui surpreendida com uma ótima série com roteiro e personagens exelentes. Que saudades de Beecher, Augustus Hill, Miguel Alvares, Ryan O Reilly e todos os outros habitantes de Emerald City. Um verdadeiro clássico que merece ser redescoberto, mesmo com uma última temporada meio decepcionante. Um abração…

  2. Junior Almeida disse:

    Realmente, um, seriado e tanto, eu acompanhei quando foi exibida no Brasil pela primeira vez e voltei a ver novamente, decidi baixar os episódios e estou assistindo, devo concluir a terceira temporada hoje. Indiquei OZ pra alguma pessoas que ainda não tinham visto e poucas se interessarem, não sabem o que estão perdendo, já que é uma seriado intenso e que deixa os telespectador ligado o tempo todo, diferente da cinematográfica Prision Break, com aquele lance de tatuagem com planta de prisão entre outras coisas, OZ não deixa de ter lá seus exageros ficcionais em certos pontos, mas a coesão nos roteiros e nas interpretações não deixam a desejar, seriado nota 10.

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