Review: Lost 6.17/18 – “The End” (FINAL DE SÉRIE)

Acabou. Não, não vou me emocionar, isso já é demais… Foi épico. Incrível. Peraí, não entendi muito bem… Será que é isso mesmo? Caramba, que fantástico. Acabou mesmo? Deixa eu ir dormir que amanhã preciso acordar cedo. Que cena final… que momento, que episódio… Mas… acabou… ano que vem não tem mais Lost. Todos os personagens, todos os mistérios, tudo foi embora nesse episódio… Caramba, assim não dá. Ir dormir quase chorando é uma porcaria.

Um turbilhão de pensamentos para um turbilhão de emoções e informações, no episódio que fechou uma das mais incríveis histórias que a TV já mostrou. Isso é Lost, que se encerrou mexendo com nossa cabeça e com nossos sentimentos e mostrando que vai fazer mais falta nas nossas vidas do que pensávamos.

É bom avisar que eu não vou comentar o episódio detalhadamente como fazia com os outros episódios, até porque se fosse fazer isso, precisaria de no mínimo três posts gigantescos, portanto, vou ressaltar apenas os melhores momentos do final (o que já rende um post gigante), além é claro, das últimas considerações sobre Lost, afinal, pessoalmente esse foi um momento bem importante pra mim e pra milhares de outras pessoas, fãs de séries.

Agora, hora de falar do episódio em si. Tecnicamente, foi perfeito. O que sempre foi bom na série foi bom em dobro aqui, a trilha sonora (apesar de terem repetido a mesma trilha toda vez que alguém lembrava de tudo nos flashsideways) e a montagem, no caso. Um verdadeiro show. A direção também foi impecável e a fotografia, sinceramente, me deixou boquiaberto. O que foi a cena da luta final entre Jack e Evil Locke, no precipicio? Coisa de cinema. Por falar nesse momento, adorei como ele foi feito, uma luta na chuva com direito a um correndo na direção do outro (lembrei de Neo vs. Smith em Matrix Revolutions, hehe) e o vilão sendo jogado de um precipício no final. Respeitaram a importancia do personagem, dando um final memorável pra ele.

Gostei também de como o episódio foi estruturado. A primeira hora foi ação desenfreada, com a batalha entre Jack e Evil Locke atingindo seu clímax e várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, de um jeito tão alucinado que mal tivemos tempo de lembrar que era o final da série. Já a última hora foi completamente emocional, com todos os personagens encontrando seus destinos e o clima de encerramento explodindo em cada frame.

O final, mais do que qualquer outra coisa, foi sobre os personagens. E bem que se esforçaram pra fazer com que respeitassemos Kate pelo menos no último episódio né? Na brincadeira, é uma das personagens mais importantes nesse final, pois foi quem surgiu no último segundo pra meter a bala no Evil Locke quando este estava prestes a matar Jack, soltando até frasezinha de efeito estilo Stallone (“I save you a bullet!”), nice. E como já disse, o clássico final de vilão caindo da beira do precipicio foi bem bacana e nem deu pra achar clichê (apesar de ser né…). De qualquer modo, deu certo. Esse episódio foi a única vez que eu realmente gostei da personagem.

E se o assunto é gostar, uma coisa que os produtores conseguiram nesse final foi fazer com que gostássemos de todos os personagens, mesmo os que odiamos a série inteira. Como eu torci por Jack nesse episódio! Sempre odiei o cara, achava ele um pé no saco, mas tanto na ilha como nos flashes, torci, me empolguei com sua obstinação em cumprir a missão de salvar a ilha e me comovi com a cena final. Bom, mas o crédito não é só dos roteiristas, Matthew Fox fez um trabalho incrível no episódio, talvez o melhor em cena, tomou as rédeas como “protagonista” da série (entre aspas, já que o grande protagonista é mesmo a ilha né).

Hurley, no fim das contas, virou o protetor da ilha, quando Jack resolve se sacrificar para fazer tudo voltar ao normal. E eu ADOREI isso. O gordinho sempre foi um dos meus personagens favoritos e achei demais ele ter terminado a série com um cargo tão importante. Ben, meu outro personagem preferido, terminou “bonzinho” (até que se diga o contrário né), ajudando Hurley com a proteção da ilha. E achei legal ele resolver não ir pra luz na realidade paralela porque achava que não merecia. Alguma punição pelos seus atos ele merecia. O dialogo dos dois na realidade paralela é uma das coisas mais legais do episódio:

Hurley: Você foi um ótimo número 2.

Ben: E você foi um excelente número 1.

Me decepcionei um pouco com Sawyer. Afinal, o que ele fez nesse episódio? Mas é um fato que por toda a série, ele foi de longe o personagem mais bem desenvolvido. Começou um canalha meio chato e terminou como um herói que realmente se importa com os outros.  E tem o “elenco de apoio” (ou os “não-candidatos”). Claire já tinha perdido a graça há tempos e, para surpresa geral da nação, Miles e Lapidus terminaram a série vivinhos e voltando pra casa. Foram os únicos que não fizeram absolutamente NADA a temporada inteira e viveram pra falar isso.

Para fechar essa parte sobre os personagens, o Desmond da ilha (sem o sorrisinho cretino Didi style) foi salvo… por Rose e Bernard, que são – referência exclusiva aos fãs de Tolkien – meio que o Tom Bombadil da ilha não? Você está em algum apuro e eles aparecem pra te salvar. Enfim, o brotha teve um papel importantíssimo, pois teve que descer até a caverna da luz (oh, Lord…) para tirar a rolha gigante de pedra do lugar (eu continuo odiando isso) e… hã… ver o que acontecia. E o inferno aconteceu (literalmente, acho), mas, além disso, Evil Locke, Jack e Richard deixaram de ser imortais. Esse último descobrindo que voltou ao normal é um momento bem bacana. Isso tudo levou a “batalha final”, que já comentei aqui.

Eu queria mesmo comentar cena a cena desse episódio, mas é melhor ir direto ao assunto: a revelação final. Segundo os produtores, o único grande mistério que faltava eles revelarem era a natureza dos Flashsideways, que surgiram no começo dessa temporada e pareciam não servir pra nada. A verdade é que os caras conseguiram ser corajosos e caras-de-pau ao mesmo tempo. Se por um lado o final foi corajoso, indo na contra-mão de quase todas as séries da TV Aberta americana por não ser 100% fechado e com tudo claro para o público, por outro foi bem cara-de-pau, afinal, eles simplesmente usaram a primeira e mais famosa teoria dos fãs sobre a série: que todos os personagens estariam mortos e aquilo era o purgatório.

Mas, calma lá, não estou dizendo que não gostei disso. Pra falar a verdade, perto de toda a pataquada envolvendo luz mágica, a escuridão no coração das pessoas e o amor que as salva disso, o vinho da imortalidade e tudo mais, achei essa ideia do final bem legal, se formos analisar direito. Afinal, o conceito pode ser o mesmo, mas o modo como usaram ele foi diferente. Na verdade, a realidade paralela não seria bem o purgatório (afinal, ninguém ali está pagando seus pecados), mas sim um limbo, onde todos que viveram juntos na ilha precisam se reencontrar. E sim, tudo que aconteceu na ilha foi real, tudo que vimos nessas 5 temporadas, mais os acontecimentos da ilha nessa última foram reais (para quem está chorando que perdeu seis anos da vida assistindo a série), apenas a  realidade paralela, no entanto, não aconteceu nesse mundo.

Por falar em mundos e etc, gostei de como misturaram várias crenças no final, sem desrespeitar nenhuma. Durante toda a série tivemos referências a religiões e nos momentos finais, os personagens estão numa Igreja e a revelação de que eles estão em outro plano espiritual para se reencontrarem e irem juntos para a luz remete diretamente, é claro, ao espiritismo. Sou católico e, não, não acredito muito nessas coisas, mas achei bacana o modo como explicaram tudo isso e como fizeram toda a cena, afinal, além de ficção – cientifica e filosofia, Lost sempre teve muito de religião.

A cena final não poderia ter sido mais bonita. Depois daquele momento Manoel Carlos, com todo mundo se abraçando e até Locke dizendo “Tava esperando você hein, meu chapa!”, todos os personagens se sentam nos bancos da Igreja, juntos e felizes e Christian Shephard abre as portas para todos irem em direção a luz. Uma cena de poucos minutos e a que torna o episódio aberto para mil interpretações. Pra mim, tivemos várias metáforas aí.

A começar pelo nome do pai de Jack (“pastor cristão”), que sempre foi curioso (até foi meio besta Kate salientando isso no episódio) e agora faz todo o sentido. Depois disso, temos a frase-ícone da série “Live together, die alone” (Viva junto, morra sozinho). O limbo representa uma segunda chance para mudar essa ideia. Todos morreram sozinhos, mas mereceram se reencontrar para terminarem juntos. E por fim… no final, todos os personagens, que passaram a série inteira perdidos (preciso explicar?) enfim “se encontraram”.

Interpretações a parte, o modo como editaram essa cena final, com todos encontrando a luz na realidade paralela e Jack indo para onde tudo começou na ilha, foi de fazer qualquer um se emocionar. Só aí, toda a minha experiência como fã de Lost passou pelos meus olhos (flashes before my eyes, ha) e cada segundo, cada passo de Jack rumo ao seu descanso final me fazia me encolher mais na cadeira, por perceber que estava acabando e eu não podia fazer nada por isso. Difícil se conter.

Por fim, Jack se deita no meio da floresta, olha para o lado, vê Vincent indo ao seu encontro. O cachorro se deita ao lado e o herói parece apenas esperar, junto com todos os fãs, o inevitável fim. E quando vê o avião passando e se certifica de que tudo está bem, ele sorri e os olhos finalmente se fecham. Apostando na ideia de fazer a última cena da série, remeter à primeira (adoro isso), para fechar de vez a história, os roteiristas me fizeram sorrir como Jack, de satisfação por ter tido a chance de participar do momento em que Lost, uma das séries mais marcantes da TV, chegou ao fim. Mas o sorriso veio acompanhado de uma imensa tristeza, porque, ao mesmo tempo em que vi essa incrível história chegando ao fim, percebi que também era o fim da minha série favorita, que me acompanhou por toda a adolescência, me ensinou muita coisa – fui atrás de tudo quanto é coisa sobre as loucuras das viagens no tempo e as referências filosóficas – e, mais do que isso, me divertiu muito por 6 ótimos anos.

É com orgulho que eu encerro aqui minha cobertura de Lost. Começou no Comentando Séries, com o review de “Not in Portland”, da 3ª temporada e termina aqui no Ritual, com o episódio final. Escrever sobre Lost foi tão divertido quanto assistir a série, dividir minhas teorias e opiniões e conferir o que outras pessoas acharam do episódio sempre foi ótimo. Desculpem pelo tamanho absurdamente exagerado desse último review, mas vamos dar um desconto né, é o último.

Bem, é isso. Obrigado a todos que acompanharam os reviews de Lost tanto aqui quanto no Comentando e, mais do que isso, obrigado a J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse, por essa fantástica jornada.

Nota: 10

6 Responses to Review: Lost 6.17/18 – “The End” (FINAL DE SÉRIE)

  1. Rodrigo Mhoust disse:

    fóda.

  2. Rafael Kenjin disse:

    Muito bem observado! Apesar das críticas negativas de outros colunistas por aí, achei o final maravilhoso tb. Ou melhor: um final bem Lost!

  3. ruben santos disse:

    Boas!
    Por acaso discordo da interpretação.
    Acho que no final da 5ª temporada, com a explosão da bomba de hidrgénio provocada pela Juliet, conseguiram criar uma realidade paralela. Nesta realidade, todos os personagens sobrevivem, não havendo queda do avião e alterando as suas histórias. No entanto, como é paralela, não deixaram de viver o resto – a queda (as 5 temporadas). No fim da 6ª, tomam consciência da outra vida, através do Desmond e decidem todos regressar, pois lá não se sentem perdidos, mas sim ligados. Na Igreja em LA, a mesma que os enviou na 5ª temporada. Só assim se explica a cena final – Jacck e Vincent e os destroços de um outro avião- eles regressaram!

  4. Caio disse:

    Nem sabia q vc tem blog, Zé.
    Tô add lá nos links do box.

    Abraço.

  5. Jacques Dinelli disse:

    Um tapa no cérebro dos intelectualóides de plantão

    “Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia” (William Shakespeare).

    Assim é nossa vida e assim foi o final de Lost: um verdadeiro tapa no cérebro dos intelectualóides de plantão.

    Neste mundo materialista em que vivemos, em que tudo é cartesiano, é difícil para muitos aceitar a mensagem poética do último episódio de Lost.

    Todos estávamos sedentos por respostas lógicas para tantas questões físicas e metafísicas com as quais fomos bombardeados ao longo destes 6 anos. Fomos habilmente levados a isso pelos criadores da série, que souberam magistralmente como alimentar nossa curiosidade. Eles nos instigaram a formular as mais complexas teorias para tentar explicar o inexplicável. Em nosso afã de entender, não medimos esforços, afinal, mexeram com nossos brios. Jamais nos subestimaram, sempre apostando em nossa capacidade criativa. Sempre nos surpreenderam com poucas respostas e novos enigmas a cada episódio, cada temporada.

    Assim, ficamos tão obcecados com o lado científico da série, tão bem representado pela Iniciativa Dharma, uma paródia de nossa desesperada tentativa de controlar tudo, que acabamos relegando o lado humanístico da trama.

    Olhando agora, em perspectiva, podemos lembrar que ao final de cada episódio, quase sempre eram mostradas cenas dos losties se reconciliando, se reencontrando, se ajudando, se perdoando. Este era o real cerne desta obra, que foi uma verdadeira ode à capacidade humana de se superar frente às adversidades. Apesar de toda nossa imperfeição, ou talvez por causa dela, ansiamos tanto por redenção. Era justamente o que cada um a seu modo buscava durante a saga. Acertando em alguns momentos, errando em outros, todos foram galgando seus obstáculos em busca da própria verdade. Como estavam perdidos, era cada um por si. A exceção de Jack, o mais solidário de todos, que logo profetizou: “Se não vivermos juntos, morreremos sozinhos”. E ele não morreu só.

    A ilha era uma metáfora da vida de cada um, todos solitários e isolados como uma ilha. Todos perdidos, tanto em suas vidas quanto em suas mortes. Todos com a mesma luz que emanava do coração da ilha em seus próprios corações, mas também com o mesmo lado sombrio em suas almas, representado pela fumaça negra. Uma síntese de nossos eternos conflitos: Bem x Mal, Luz x Trevas, Razão x Emoção, Saber x Crer.

    Até que finalmente, ajudados por Desmond, que aliás foi o responsável por provocar a queda do Oceanic 815 na ilha, os losties foram descobrindo uma verdade absoluta, comum a todos: o Amor. Este era o elo que os unia e nos uni a todos. Ele próprio teve um pequeno vislumbre disso quando descobriu que para se situar no tempo precisava de uma constante, que em seu caso era Penny, o amor de sua vida. Assim como reuniu todos na ilha, coube a ele a tarefa de reuni-los novamente no além. À medida que cada um ia se lembrando das experiências de amor que vivenciaram juntos na ilha, tudo ficava claro e todo o sofrimento por que passaram tornava-se insignificante. O Amor era a catarse final que restituiu suas consciências e permitiu a redenção de todos, numa grande confraternização.

    Sim, amigos, o bom e velho Amor, tantas vezes ridicularizado e banalizado, mas que sempre triunfa, como exaltado pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Epístola aos Coríntios, singelamente conhecida como Hino à Caridade ou Hino ao Amor:
    “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e CONHECESSE TODOS OS MISTÉRIOS E TODA A CIÊNCIA, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria… O Amor nunca falha…”

    Ou mais recentemente, como já pregavam os Quatro Evangelistas de Liverpool: “All you need is love” (The Beatles).

    É piegas, é brega, é clichê, mas é a mais pura verdade.

    Como eu disse anteriormente, como os autores sempre tiveram a capacidade de nos surpreender, não poderia haver final mais surpreendente que este.

    Valeu a pena cada madrugada em claro, cada neurônio queimado, cada lágrima derramada.

    Lost, que sempre esteve em nossas mentes, agora estará definitivamente em nossos corações.

    Abração a todos os Lostmaníacos,

    Jacques Dinelli Silva.

    P.S.: Lost nos remete a filmes como ”Sexto Sentido” e “Os Outros”, com a diferença de que nestes casos todos já estavam mortos desde o início. Um filme que recomendo é este: “Uma Simples Formalidade”. Pra quem ainda não viu, vale a pena conferir.

  6. Thaís disse:

    Com certeza, Lost vai fazer mais falta do que esperávamos.Lost marcou a minha vida. Eu comecei a ver a serie por causa da minha mãe e simplesmente me apaixonei. Não esqueço as noites que deitava na sala com a minha mãe para ver essa série que com certeza é umas das melhores que eu já vi. Não consigo nem descrever o tanto que me emocionei no final e o sentimento de solidão que tive nos últimos segundos do episódio. Dizer que eu chorei pode parecer demais , mas para mim foi inevitável. Saber que nunca mais ficarei especulando e elaborando teorias malucas para cada mistério de cada episódio durante esses seis anos me deixou muito triste. Lost simplesmente deixou sua marca e o final na minha opinião não poderia ter sido mais perfeito.😀 E a serie estará sempre no coração dos milhões de fãs que a acompanharam ! Lostmaniacos sempre🙂 Obrigado a J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse, por essa fantástica jornada. [2] Nos nunca conseguiremos esquecê-la xD

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