Review: Lost 6.14 – “The Candidate”

Tenso, transtornado, emocionado e com a sensação de que levei um soco na cara. Foram por coisas assim que Lost virou minha série favorita e eu jamais pensei que ia ter esses sentimentos de uma forma tão intensa novamente. Mas como eu previ, agora não tinha como fugir de algo alucinante e a série teve um episódio acima do nível de toda a temporada.

Pena que justo agora falte tão pouco.

A ideia de matar, no mesmo episódio, 3 personagens principais da série foi algo simplesmente chocante, e bem digno de um final de Lost, que sempre tem mortes. Mas teve um clima todo diferente agora, ainda que os três personagens que morreram estivessem absurdamente chatos nessa temporada. Enquanto isso, na realidade paralela, acho que já estão enrolando demais para os personagens perceberem de vez que estão no lugar errado. Eu nem sei como essa realidade vai sumir e/ou se chocar com a da ilha, mas a ideia de deixar tudo para o último momento não me agrada. Até agora é só um se encontrando com outro, olharzinhos estranhos e etc. Ninguém além do Hurley e da Libby vão acordar ali?

Já que estou criticando essa outra realidade, nem teve graça esse negócio do Jack curar o Locke né? Ah sim, porque é claro que no fim ele vai acabar convencendo o careca, afinal, se já insistiram tanto na obviedade dessa história, vão manter assim. Mas curti Locke falando frases da ilha e a aparição de Anthony Cooper, que foi um choque. Só pra fechar essa parte do episódio, a última cena do FlashSideway mostrou mais uma vez porque Terry O’Quinn merece ganhar o Emmy novamente esse ano.

Sério, como um ator, no mesmo episódio, faz aquele mesmo personagem trágico e cheio de problemas que é Locke e o terrível Homem de Preto? E, mais assustador ainda: quando vemos o vilão na ilha, é impossível ver qualquer vestígio de Locke ali, temos até medo dele. Em compensação, na paralela é difícil não se comover com a história de como ele foi parar na cadeira de rodas (e se assustar com ele dizendo “Estive num acidente de avião”, hehe). Guarda um espaço na prateleira aí, O’Quinn.

Mas foi na ilha que a coisa foi sensacional. A partir do momento que Jack joga Evil Locke na água, prendemos a respiração e não soltamos até o episódio acabar. Enfim acabou a gracinha e o teatro e tivemos a prova de que Evil Locke realmente merece ser chamado de “evil” e para quem ainda tinha dúvidas, agora elas acabaram: é ele o grande vilão da série. Outra coisa, que não foi surpresa pra ninguém, se confirmou: Jack é o escolhido por Jacob para ser o novo protetor da ilha. E quem disse isso foi Sayid…

Aproveitando a deixa, falemos das mortes. Poucas vezes Lost me deixou tão triste. E se formos parar pra ver, foi mais pelo jeito como toda a cena foi feita do que pelos personagens em si. Sun e Jin sempre foram personagens desinteressantes e nunca foram muito bem construídos – a única coisa realmente legal que aconteceu com um deles foi no começo da 1ªtemporada, quando Sun revelou que falava inglês – mas quem não ficou pelo menos com um nó na garganta com o último momento deles, já mortos e de mãos dadas, é um robô, não tem desculpa. Trágico e muito bonito.

Já Sayid era um dos melhores personagens da série, adorado por todo mundo e acabou transformado num zumbi-pateta nessa temporada. Acho que Lindelof e Cuse viram a merda que fizeram e resolveram dar cabo no personagem, mas fazer isso com dignidade. Por isso, minutos antes de sua morte, tivemos uma amostra do que Sayid já foi, tentando desarmar a bomba num clima bem nostálgico pra série e, quando tudo ficou perdido, resolveu morrer como um herói, fugindo com a bomba para uma salinha afastada dos outros. Digno. Por fim, teve a morte de Lapidus, personagem que só não foi tão inútil quanto Paulo porque ainda era bem legal. Dá até pra ficar triste por ter morrido.

O final na praia, com Hurley e Kate inconsoláveis e Jack chorando desesperado na beira do mar, me deixou realmente mal depois que eu vi o episodio. O gordinho chorando foi pra fazer quem não tinha se emocionado ainda se render e, apesar de odiar Jack, foi difícil não sentir dó dele. Só conseguia pensar “Como alguém pode aguentar tudo isso? E quando esse inferno na vida deles vai acabar?”. Lost sempre foi um primor pra fazer cenas emocionantes e essa foi uma das melhores.

E agora faltam três episódios. O próximo, centrado em Jacob e no MIB, provavelmente vai ser como “Ab Aeterno” e dará uma parada nos alucinantes acontecimentos pra contar a história desses seres que estão movendo a série rumo ao seu final derradeiro. Depois disso, vai ser uma corrida contra o tempo para se salvar e derrotar Evil Locke. Impossível não ficar ansioso e ao mesmo tempo triste, com o final da série agora…

Nota: 10

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